Paris
A desnutrição que, com frequência, não vem acompanhada de sintomas externos, afeta no entanto uma em cada duas crianças no sul da Ásia, e uma em cada três na África. Foi definida como uma ‘‘emergência silenciosa’’ do planeta, segundo denúncia do Unicef em seu informe mundial 1998 que está sendo divulgado hoje.
Doze milhões de crianças com menos de cinco anos morrem anualmente no mundo, e a desnutrição desempenha um papel, direta ou indiretamente, em 55% destas mortes, acusou o Fundo de Nações Unidas para a Infância.
Esta chaga sabe tornar-se invisível: as três quartas partes das crianças que chegam a morrer apresentam um tipo de desnutrição desprovido de sintomas externos.
Entre as que sobrevivem, provoca problemas físicos, retardamentos mentais e fragilidade ante as infecções. Atualmente, 183 milhões de crianças apresentam peso anormalmente baixo para suas idades, 67 milhões têm peso muito baixo para a estatura, e 226 milhões sofrem de atrasos no crescimento.
Uma das síndromes mais sérias é a de ‘‘kwashiorkor’’, causada por um regime carente em proteínas, cobrindo as crianças de edemas (no rosto, nos membros).
Nas mulheres, a desnutrição cria complicações obstétricas: 60% das em idade de procriar na Ásia, 45% no Sudeste da Ásia e 20% na África subsaariana têm peso abaixo do normal.
A desnutrição não depende da satisfação do apetite, uma vez que a fome pode ser acalmada e a pessoa continuar desnutrida. Pode resultar de inúmeros fatores, provocados por uma alimentação em quantidade e qualidade insuficientes, e pode tomar várias formas que atuam em simbiose.
A desnutrição é companheira da pobreza (4,3 bilhões de pessoas vivem com menos de dois dólares diários), mas também vizinha da riqueza.
Na Grã-Bretanha também se observam carências alimentares, nos países do Leste (15% dos menores de dois anos na Rússia têm atrasos de crescimento) e nos Estados Unidos. No país mais industrializado do mundo, uma criança em cada cinco é pobre, e mais de 13 milhões têm dificuldades em conseguir alimentar-se.

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