A desnutrição infantil em nível mundial diminuirá em cerca de 20% até 2020, mas 132 milhões de crianças continuarão carecendo de alimentação suficiente para ter um crescimento sadio, prognosticou um informe divulgado por um instituto com sede em Washington. A melhora no rendimento das colheitas, a diminuição no crescimento populacional e o aumento do comércio internacional contribuíram para esta queda, indicou o relatório ''Panorama Mundial Alimentar em 2020'', preparado pelo Instituto Internacional para a Investigação da Política Alimentar.
A América Latina eliminará quase toda a desnutrição infantil na região e a China a reduzirá à metade, prognosticou o informe. Na Índia, a taxa melhorará um pouco, embora o país tenda a continuar representando um terço da população mundial infantil desnutrida. Às melhoras obtidas se somará um aumento da população mundial de 6 bilhões para 7,5 bilhões de pessoas, diz o estudo.
No entanto, a região subsaariana continua piorando, já que o número de crianças com desnutrição aumentou em cerca de 18%, chegando a 39 milhões, diz o relatório. Atualmente, ''um terço de todas as crianças na região subsaariana continuam famintas'' e a fome ''compromete seu desenvolvimento físico e mental'', indica o informe.
Embora a seca e outras condições climáticas não possam ser prognosticadas, as mudanças na política governamental, assim como o livre comércio, e uns US$ 10 bilhões adicionais em gastos com investigações agrícolas, cuidados médicos e ensino poderiam mais do que duplicar o índice de diminuição da desnutrição nas crianças, segundo o relatório.
''O avanço na redução da desnutrição infantil é injustificavelmente lento'', disse o dinamarquês Per Pinstrup-Andersen, diretor-geral do Instituto, em uma declaração. ''Mas estamos em condições de mudar esta situação.''
O Instituto sediado em Washington foi criado para estudar os problemas alimentares que afetam os países em desenvolvimento e recebe ajuda de organizações privadas de todo o mundo, incluindo o Banco Mundial e as Nações Unidas.
Para evitar um ainda maior agravamento da situação subsaariana, os governos terão de utilizar métodos agrícolas modernos, como o uso de fertilizantes e irrigação, para melhorar o rendimento das colheitas, e proporcionar à população estradas, água potável e educação, indicou o informe. Estes avanços são necessários para levar o sistema agrícola da região, que é de agricultura de subsistência, para um sistema de agricultura comercial moderna.
''Sem avanços nesta área, o mundo só obterá um êxito mínimo contra o flagelo mundial da desnutrição'', completa o relatório.
InvestimentosPara reduzir o número de crianças mal alimentadas nos países subdesenvolvidos, até 2020, são necessários investimentos de 800 bilhões de dólares, segundo o estudo. Estes investimentos devem ser feitos nos setores agrícolas, de educação e de infra-estruturas viárias na América Latina, sul e sudeste da Ásia, na África, especialmente na África subsaariana, na Índia e na China, afirma o estudo do Instituto.

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