Desmobilização não beneficia líder
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sábado, 29 de novembro de 2003
France Presse 
Bogotá Carlos CastaÀo, líder paramilitar das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), tenta conduzir com o governo colombiano um acordo de paz, que pode lhe ser desfavorável.
Este homem de caráter forte e imprevisível, foi definido pelo escritor León Valencia como ''uma catarata de palavras e gestos''. No ano passado, ele confessou ter ordenado o assassinato de dirigentes de esquerda da década de 90, para pouco tempo depois satanizar o narcotráfico entre os paramilitares.
Em novembro passado, CastaÀo anunciou que as AUC cessariam as hostilidades durante um processo de desmobilização, que foi aprovado em 15 de julho passado e iniciado formalmente com a entrega de armas, terça-feira passada, na cidade de Medellin (norte), de 855 combatentes paramilitares.
O dirigente das AUC aproveitou a oportunidade para expressar, através de um vídeo, suas opiniões sobre o futuro do processo de paz, que deverá retirar da guerra 20 mil paramilitares antes do dia 31 de dezembro de 2005.
A situação de Carlos CastaÀo, assim como a de Salvatore Mancuso, líder militar das AUC, é mais complicada: ambos são objeto de um pedido de extradição por narcotráfico emitido pelos Estados Unidos, o que impede qualquer forma de anistia ou perdão.
Na opinião do ex-chanceler colombiano, Rodrigo Pardo, o processo de desmobilização tem ''um problema, com nome e sobrenome: Carlos CastaÀo''.
''Para CastaÀo, a desmobilização de terça-feira passada constitui uma medida que tem por objetivo fazer esquecer seus crimes, subestimados no vídeo divulgado no mesmo dia, onde pediu perdão por 'alguns excessos', e conseguir os benefícios que a legislação prevê para delitos políticos, como o perdão e a anistia'', explicou Pardo.
No entanto, Pardo admitiu que ''o processo de desmobilização faz sentido, justamente no caso de CastaÀo, que excerceu uma liderança indiscutível sobre o movimento paramilitar durante mais de uma década''.
''Mas CastaÀo constitui um grande obstáculo à aceitação do processo de desmobilização pela comunidade internacional'', acredita Pardo.
De fato, o principal líder paramilitar já é objeto de várias condenações, lembradas pela organização de direitos humanos Human Rights Watch, pelo assassinato do ex-candidato presidencial colombiano Bernardo Jaramillo, e por dois massacres que deixaram 55 mortos. Além disso, ele enfrenta uma série de 35 processos judiciais, dos quais 27 emitiram ordens de captura.
''Os colombianos e a comunidade internacional podem interpretar todos estes processos e condenações como 'alguns excessos', e permitir que CastaÀo seja castigado por uma simples liberdade condicional?'', perguntam Pardo e analistas.


