Desligado último reator de Chernobyl
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de dezembro de 2000
Das agências De Chernobyl, Ucrânia 
A central de Chernobyl (Ucrânia), onde, em 1986, ocorreu o pior acidente nuclear da história, contaminando três quartas partes da Europa, foi fechada definitivamente ontem. Um engenheiro da central, Sergui Bachtovy, usando um terno branco e cercado por vários colegas na sala de controle da central, desativou o reator número três, o único em atividade.
Uma explosão devastou, em 26 de abril de 1986, o reator quatro de Chernobyl e afetou milhões de pessoas, especialmente na Ucrânia, Rússia e Bielorrússia.
Bachtovy estava visivelmente nervoso e comovido quando girou a manivela do último reator de Chernobyl. O engenheiro estava acompanhado por três colegas e o diretor da central, Vitali Tolstonogov.
Na sala de conferências da central, cerca de 300 funcionários de Chernobyl se reuniram diante de monitor para assistir a desativação.
Quando Bachtovy girou a manivela AZ-5 para parar o reator, os funcionários se levantaram. Hostis à decisão de fechar Chernobyl tomada pelo presidente da Ucrânia, Leonid Kutchma, os funcionários não tentaram dissimular sua emoção.
É como se tivessem enterrado alguém, disse Svetlana, tão abatida quanto seus colegas.
Em Kiev, uma cerimônia oficial reuniu em torno do presidente Kuchma inúmeras personalidades, entre elas o secretário americano de Energia, Bill Richardson, e o empresário e estilista francês Pierre Cardin.
Hoje dei a ordem de desativar o terceiro reator de Chernobyl, o último em atividade. Isso significa fechar uma instalação que entrou para a história como a catástrofe mais terrível, declarou Kuchma.
A Ucrânia aceitou fechar Chernobyl em troca de uma ajuda internacional de 2,3 bilhões de dólares.
HomenagemNo dia do fechamento da usina de Chernobyl, o atacante do Milan Shevchenko disse, ontem, que não devem ser esquecidas as crianças que morreram em consequência do acidente nuclear ocorrido em 1986. A tragédia de Chernobyl não foi uma tragédia da Ucrânia, mas do mundo todo. Penso somente nos mortos e nas crianças que nasceram deficientes em virtude do vazamento dos reatores. Em abril de 1986, quando ocorreu o acidente, Shevchenko tinha 9 anos. Nascido em uma aldeia de nome quase impronunciável, Dvirkivshchyna, nas proximidades de Kiev, para aí mudou-se para atuar nas divisões inferiores do Dinamo. O jogador se recorda do dia da tragédia. Ninguém nos falava nada, mas entendíamos tudo.


