A central de Chernobyl (Ucrânia), onde, em 1986, ocorreu o pior acidente nuclear da história, contaminando três quartas partes da Europa, foi fechada definitivamente ontem. Um engenheiro da central, Sergui Bachtovy, usando um terno branco e cercado por vários colegas na sala de controle da central, desativou o reator número três, o único em atividade.
Uma explosão devastou, em 26 de abril de 1986, o reator quatro de Chernobyl e afetou milhões de pessoas, especialmente na Ucrânia, Rússia e Bielorrússia.
Bachtovy estava visivelmente nervoso e comovido quando girou a manivela do último reator de Chernobyl. O engenheiro estava acompanhado por três colegas e o diretor da central, Vitali Tolstonogov.
Na sala de conferências da central, cerca de 300 funcionários de Chernobyl se reuniram diante de monitor para assistir a desativação.
Quando Bachtovy girou a manivela AZ-5 para parar o reator, os funcionários se levantaram. Hostis à decisão de fechar Chernobyl tomada pelo presidente da Ucrânia, Leonid Kutchma, os funcionários não tentaram dissimular sua emoção.
‘‘É como se tivessem enterrado alguém’’, disse Svetlana, tão abatida quanto seus colegas.
Em Kiev, uma cerimônia oficial reuniu em torno do presidente Kuchma inúmeras personalidades, entre elas o secretário americano de Energia, Bill Richardson, e o empresário e estilista francês Pierre Cardin.
‘‘Hoje dei a ordem de desativar o terceiro reator de Chernobyl, o último em atividade. Isso significa fechar uma instalação que entrou para a história como a catástrofe mais terrível’’, declarou Kuchma.
A Ucrânia aceitou fechar Chernobyl em troca de uma ajuda internacional de 2,3 bilhões de dólares.
HomenagemNo dia do fechamento da usina de Chernobyl, o atacante do Milan Shevchenko disse, ontem, que não devem ser esquecidas as crianças que morreram em consequência do acidente nuclear ocorrido em 1986. ‘‘A tragédia de Chernobyl não foi uma tragédia da Ucrânia, mas do mundo todo. Penso somente nos mortos e nas crianças que nasceram deficientes em virtude do vazamento dos reatores. Em abril de 1986, quando ocorreu o acidente, Shevchenko tinha 9 anos. Nascido em uma aldeia de nome quase impronunciável, Dvirkivshchyna, nas proximidades de Kiev, para aí mudou-se para atuar nas divisões inferiores do Dinamo. O jogador se recorda do dia da tragédia. ‘‘Ninguém nos falava nada, mas entendíamos tudo.’’

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