Desistência de Menem foi derrota política
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quarta-feira, 22 de julho de 1998
Ariel Palacios Agência Estado 
Menem não desistiu: houve uma derrota política. Desta forma, analistas políticos explicavam a brusca decisão do presidente Carlos Menem de desistir de concorrer à sua segunda reeleição, anunciada terça-feira, ao meio-dia.
Com o anúncio de Menem, abre-se um novo panorama na política argentina, que pela primeira vez desde 1989, não contará com el Turco, como o chamam popularmente, como protagonista na arena política. Em Buenos Aires, comenta-se que já começou o pós-menemismo.
Desde o anúncio ressurgiram dois potenciais candidatos à sucessão de Menem, dentro do justicialismo (também conhecido por peronismo): o governador da província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, e o ex-cantor e ex-governador da província de Tucumán, Ramón Palito Ortega. O primeiro, transformou-se paulatinamente no principal inimigo interno de Menem. O segundo, poderá ser seu delfim: o herdeiro dócil, que no caso de chegar à Casa Rosada, aplicará a fórmula Ortega no governo, Menem no poder.
Enquanto prepara o terreno para Ortega, prevê-se que simultaneamente Menem dedicará o ano e meio que ainda tem de um poder cada vez mais esvaziado, para acabar com o futuro político de Duhalde. Para Menem, a ambição de sentar mais uma vez no sillón de Rivadavia, como é chamada a cadeira presidencial, ficará para o ano 2003, data na qual já afirmou, pretende disputar a presidência.
Duhalde não perdeu tempo, e ontem já declarou que poderá formar alianças com outros setores do peronismo e até de outros partidos. Neste último caso, analistas não descartam a participação do ex-ministro Domingo Cavallo, com quem o governador sempre teve uma relação cordial. Cavallo possui um partido político próprio, o Ação pela República, e sempre afirma que gostaria de ser o fiel da balança. Nos próximos dias, no entanto, poderá ser mensurado o potencial de Duhalde para enfrentar a máquina de menemismo, que começará um processo intenso de revanche contra o governador bonaerense. Além disso, no front externo, Duhalde terá que convencer o capital estrangeiro de que é uma figura confiável, e diminuir seu perfil de peronista à moda antiga.


