Desespero na luta para localizar sobreviventes
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sábado, 27 de janeiro de 2001
Associated Press De Ahmedabad, Índia 
Usando uma alavanca e as próprias mãos, Sunitibehn Mehta removia destroços em uma busca frenética por seu filho Manu, de 8 anos, ainda desaparecido seis horas depois que sua casa desmoronou em virtude do terremoto que abalou ontem a Índia
Com o rugido de geradores de força que forneciam eletricidade para as máquinas utilizadas na operação de salvamento, Mehta suplicava: Ele ainda está vivo. Eu sei disso. Alguém por favor salve o meu filho.
O marido dela, Veerji Mehta, no entanto, não estava tão esperançoso. Não ouvimos nenhum som por mais de três horas. Já perdi as esperanças, disse ele em sussurro.
Quase 15 horas depois de um potente terremoto que estremeceu o noroeste da Índia, centenas de pessoas permaneciam soterradas sob os escombros de quase 100 edifícios que desmoronaram na cidade de Ahmedabad, capital do Estado de Gujarat.
De acordo com números oficiais, pelo menos 860 pessoas morreram e outras 3.200 ficaram feridas em consequência do tremor que atingiu 6,9 graus na escala Richter e pôde ser sentido do Paquistão a Bangladesh e Nepal.
O bloco de apartamentos de seis andares onde moravam os Metha desmoronou. Pelo menos 13 corpos foram retirados dos destroços, restando 15 pessoas ainda soterradas.
Voluntários, principalmente jovens do bairro, removeram tijolos e ferros retorcidos por várias horas. Toda vez que uma pessoa era resgatada com vida, a alegria tomava conta do local. Por outro lado, um silêncio profundo se seguia quando os voluntários retiravam um cadáver.
Não contamos com nenhuma ajuda da polícia ou das autoridades. Estamos sozinhos, disse Maheshbhai Patel, dono de uma loja que se uniu aos esforços de salvamento.
Holofotes foram montados com a ajuda de geradores para iluminar a área. Os parentes da vítimas do edifício esperavam, exaustos, sentados nos destroços. Ao longo da cidade de 4,5 milhões de habitantes, residentes esticavam mantas nas ruas para passar a noite, muitos com medo de retornar aos edifícios danificados.
Observadores assinalavam que na falta de apoio oficial, nas primeiras horas, o que valeu muito foi a solidariedade entre os sobreviventes. Os que escaparam ilesos da destruição de suas moradias tentavam ajudar os outros, principalmente com o objetivo de tentar encontrar sobreviventes em meio aos destroços. Uma luta que continuou durante horas.


