São Paulo - Desertores do Exército sírio mataram ao menos 27 soldados e outros integrantes das forças de segurança em confrontos ocorridos na província de Deraa, no sul da Síria, durante a madrugada de ontem, disse a entidade Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede em Londres.
Segundo a organização, os desertores combateram as forças leais ao ditador Bashar Assad em duas localidades na própria cidade de Deraa, bem como em um posto militar de controle situado a cerca de 25 quilômetros.
A entidade não deu detalhes sobre o modo como irromperam os confrontos, mas o elevado número de mortes indica coordenação dos rebeldes, que intensificaram seus ataques contra alvos militares nas últimas semanas.
A organização Human Rights Watch pediu ontem que sejam levados ao Tribunal Penal Internacional 74 oficiais do Exército sírio, identificados como os responsáveis por ordenar o uso de fogo real contra os manifestantes opositores ao regime.
Em um relatório publicado ontem, a organização recolhe os testemunhos de cerca 60 militares dissidentes das tropas do regime de Bashar Assad.
Nos últimos meses aumentaram os choques entre soldados dissidentes e tropas regulares, que começaram sobretudo na província de Idleb (Norte) antes de estender-se a Homs e Hama (Centro), e agora a Deraa.
Os soldados desertores, organizados no denominado Exército Sírio Livre, protagonizam combates frequentes com as tropas regulares, o que eleva o temor de uma guerra civil no país. De acordo com estimativas da ONU, mais de 5 mil pessoas já morreram na Síria desde o início da repressão às manifestações contra o regime de Assad há cerca de nove meses.

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