Roby Beck/France PresseDilemaGuardas chineses marcham em torno da Embaixada sul-coreana em Pequim: conflito causa desconfortoA Coréia do Norte anunciou ontem que se o seu destacado ideólogo Hwang Jang-Yop realmente pediu asilo à Coréia do Sul ‘‘é um renegado’’ e será imediatamente demitido, mas se ele foi sequestrado, conforme acredita, tomará ‘‘contramedidas decisivas’’. ‘‘Nossa posição é simples e clara. Se ele foi sequestrado, não podemos tolerar isto’’, anunciou o Ministério do Exterior de Pyongyang. Hwang refugiou-se na missão de Seul em Pequim há sete dias.
A deserção de Hwang, principal ideólogo norte-coreano e o dirigente de mais alta hierarquia a abandonar o País stalinista desde o fim da guerra das Coréias, em 1953, tem constrangido sua hermética nação, deliciado Seul e colocado Pequim numa enrascada: como livrar-se dele sem ofender o velho camarada comunista ou desagradar o novo amigo capitalista.
Hwang completou ontem 74 anos de idade sem sinais de progresso para celebrar seu pedido de asilo ao Sul, e ainda confinado no consulado fortemente patrulhado de Seul em Pequim. O caso levou o governo da China a reforçar suas medidas para evitar provocações da população local. As autoridades chinesas pediram a dezenas de norte-coreanos que se encontravam perto da delegação, atrás de um cordão de isolamento, para que deixassem o local. Há cerca de 50 mil sul-coreanos em Pequim.
Ontem, por volta das 12 horas de ontem, todos os veículos diplomáticos norte-coreanos e seu pessoal desapareceram dos quatro cruzamentos onde haviam mantido vigilância contínua desde que Jang-Yop pediu asilo. No entanto, ignora-se o paradeiro dos norte-coreanos, que não voltaram à sua embaixada, que fica a uns 3 quilômetros da representação da Coréia do Sul.
‘‘Estamos muito preocupados com a atitude agressiva’’ dos norte-coreanos, disse o porta-voz da embaixada sul-coreana, Chang Moon-Ik. ‘‘Eles fustigam constantemente nossos funcionários e os seguem de carro quando voltam para suas casas’’, acrescentou Chang.
A secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, externou ontem as preocupações americanas em relação aos eventos na Península Coreana, dizendo que eles sublinham a necessidade de diálogo entre os dois países rivais. EUA e Coréia do Sul pediram ontem que a Coréia do Norte deixe ‘‘de perseguir’’ o dirigente e que sejam cessadas as hostilidades.
O ministro do Exterior de Seul, Yoo Chong-ha, disse que os problemas provocados pela deserção de Hwang eram apenas o início de dores de cabeça para Seul.
Outro preeminente defector, Li Il-nam, sobrinho da ex-mulher do líder norte-coreano Kim Jong-il, permanecia ontem em coma depois de ter sido gravemente ferido a tiros no fim de semana por supostos agentes da Coréia do Norte nas proximidades de Seul.
A segurança nos portos, aeroportos e outros locais públicos da Coréia do Sul foi reforçada e cerca de 10 mil policiais e soldados procuravam os dois supostos agentes que balearam Li.

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