No Haiti, o país mais pobre do Hemisfério Norte, 60% da mão-de-obra ativa está sem trabalho e tem poucas esperanças para solucionar o problema a curto prazo. Nos Estados Unidos, a única superpotência mundial, sete anos de bom desempenho econômico reduziram o desemprego a 5% - o nível mais baixo em quase um quarto de século. Mas não conseguiram dissipar o medo dos trabalhadores, de serem despedidos de um dia para o outro.
‘‘Hoje, nos EUA, existe um clima de insegurança’’, disse o economista americano Paul Krugman, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). ‘‘Os trabalhadores temem que o rápido avanço tecnológico acabará com seus empregos e acham que nunca terão tempo para se reciclar’’.
Foi este temor que levou o Congresso dos EUA a recusar o pedido do presidente Bill Clinton, de amplos poderes para negociar acordos de comércio internacionais. E este mesmo medo levou sindicalistas de todo o continente a se unirem na Cúpula dos Povos das Américas - uma reunião paralela à de líderes de 34 países do continente americano, que começou ontem.
Enquanto os chefes de Estado e de Governo discutiam o futuro da integração continental, nos salões do Hotel Sheraton, de Santiago, centenas de sindicalistas formaram uma corrente humana em volta de uma pequena colina, no centro da cidade. Queriam demonstrar sua união diante de um futuro incerto, que, acreditam, colocará em risco seus empregos.
Essa questão não monopolizou apenas os debates entre trabalhadores. Segundo Krugman, o maior desafio do presidente Fernando Henrique Cardoso hoje é o crescente desemprego. Para o homem que previu a crise financeira do México, em 1995, e chamou a atenção mundial para a fragilidade dos Tigres Asiáticos, antes de sua queda, a falta de trabalho no Brasil preocupa mais que os déficits comercial e da conta corrente.
O desemprego também preocupa os presidentes da Argentina, Carlos Menem, e do Peru, Alberto Fujimori, que querem disputar um terceiro mandato. Mas até no Canadá - o único país industrializado do continente além dos EUA - mais de 9% da mão-de-obra ativa não tem ocupação. A média aritmética do desemprego, nos 34 países da futura Área de Livre Comércio das Américas (Alca), é de mais de 13%. Por isso, os governos fizeram questão de incluir no seu Plano de Ação para o hemisfério inúmeros parágrafos defendendo os direitos trabalhistas.

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