Desemprego ameaça o poder de conservadores
Há apenas seis meses das eleições legislativas, a Alemanha ameaça ultrapassar, já a partir de fevereiro, a barreira psicológica dos 5 milhões de desempregados, número recorde após a 2ª Guerra. Esse problema, até agora insolúvel, poderá facilitar uma alternância democrática entre os conservadores da União Democrata-Cristã (CDU), atualmente no poder, e os democratas do Partido Social-Democrata, cada vez mais ameaçadores, segundo as pesquisas de opinião.
Seguindo o recente exemplo francês, inúmeras associações de desempregados estão promovendo manifestações, apoiadas pelos sindicatos, em 220 cidades da Alemanha, como Bonn, Frankfurt, Berlim, etc... Trata-se do efeito contágio que poderá levar o movimento até outros países da União Européia, também fortemente atingidos pelo desemprego. Segundo as estatísticas oficiais do Centro Federal do Trabalho, só nesse último mês, o número de desempregados passou de 4,4 milhões para 4,8 milhões, uma forte elevação que corresponde a 12,6% da população economicamente ativa do país.
O chanceler Helmut Kohl encontra-se numa posição política muito delicada com o debate aberto ontem no Bundestag (Parlamento) entre os deputados, desejosos de aprovar diversos planos de criação de empregos, e o governo, que não admite aumentar suas despesas. Ontem, Kohl, diante da pressão dos desempregados que multiplicam as manifestações de rua e admitem, até mesmo, a ocupação de imóveis públicos em sinal de protesto, acabou solicitando aos Estados a criação de mais 100 mil empregos de longa duração.
A situação é mais procupante na área da ex-Alemanha Oriental, onde as perspectivas são bem mais sombrias. Mesmo que todos os desempregados tenham direito a um sistema de proteção social, o estado de espírito nas duas partes da Alemanha é bem diverso. Os problemas da reunificação são tais que a economia alemã se transformou, nesses últimos sete anos, numa verdadeira máquina de liquidação de empregos: 3,4 milhões de postos de trabalho suprimidos, sendo 2,5 milhões só na ex-República Democrática Alemã.
A modernização dessa região do país não deixa de ter sua parte de responsabilidade. A reconstrução de uma usina de açúcar que empregava 2 mil pessoas no lado oriental, hoje só dá emprego a 150 trabalhadores.





