Desempregados bloqueiam estradas na Argentina
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Daniel Merolla<br>France Presse 
Buenos Aires - Grupos de desempregados, chamados de os piqueteiros, isolaram ontem Buenos Aires de sua povoada periferia, enquanto bloqueavam 100 estradas da Argentina, num protesto pacífico mas cercado de tensão, para exigir a liberação de subsídios para os desempregados, entre outras demandas.
Os grupos mais radicais que congregam os desempregados, pobres e militantes de esquerda formaram barreiras humanas para impedir a passagem de veículos, levantaram grandes cartazes e tocaram tambores, enquanto policiais os vigiavam de longe, sem intervir, como dispôs o governo para evitar incidentes.
''Estamos mobilizando 50 mil pessoas em todo o país'', disse numa entrevista coletiva Raúl Castells, líder do Movimento Independente de Aposentados e Desempregados, que enfrenta abertamente o presidente peronista Néstor Kirchner.
O governo e a polícia não fizeram comentários ontem, depois de terem se comprometido quarta-feira a evitar a repressão às manifestações e denunciar a falta de respaldo popular às entidades radicais de piqueteiros. O movimento contém centenas de grupos e representa 300 mil beneficiários dos planos de ajuda a indigentes e pobres, mas os piquetes foram organizados por doze setores que combatem Kirchner.
''O governo não quer se sentar para dialogar e ouvir o povo, por causa de soberba extrema. Além do mais, enviou ao congresso uma reforma trabalhista exploradora'', disse Castells. Cem manifestantes bloquearam a rodovia nacional 11 na altura de Clorinda, na província de Formosa (nordeste), e o trânsito em direção ao vizinho Paraguai, provocando longas filas de veículos.
Ativistas ligados a Castells cortaram uma estratégica avenida em Mar del Plata, onde há mais de 1,5 milhão de turistas no maior centro turístico da costa atlântica no verão austral argentino. Os piqueteiros anunciaram, entretanto, que não vão bloquear a movimentada rodovia Buenos Aires-La Plata (capital da província de Buenos Aires), evitando confrontos devido a uma ordem judicial que garantiu a livre circulação.


