Desculpas dos EUA resolvem a crise
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quarta-feira, 11 de abril de 2001
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
Um solução de compromisso baseada na ambiguidade semântica e o desejo dos governos da China e dos Estados Unidos de se preservar politicamente e de conter os danos às relações entre os dois países encerraram ontem a pior crise entre eles desde o massacre de militantes pró-democracia na Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989.
Depois de insistir durante dez dias num pedido formal de desculpas de Washington pela colisão de um avião de espionagem eletrônica da Marinha americana com um jato de interceptação chinês, no qual o piloto deste perdeu a vida, o governo de Pequim deu-se por satisfeito ontem com manifestação por escrito de reiterado pesar por parte de Washington, feita em linguagem que pode ter mais de um significado quando traduzido do inglês para o chinês.
Pouco depois, o ministro das Relações Exteriores, Tanj Jiaxuan, anunciou que seu governo estava pronto para autorizar, por razões humanitárias, o retorno da tripulação de 24 soldados e oficiais americanos, que foi detida numa base naval na ilha de Hainan, onde fez um pouso de emergência não autorizado, meia hora depois do acidente. Um Boeing 737 da Continental, fretado pelo governo americano em Guam, era esperado nas primeiras horas de hoje em Hainan para resgatar os tripulantes.
O impasse, que já começara a envenenar as crescentes e complexas relações entre o mais rico e o mais populoso países do planeta, foi resolvido pelo emprego diplomático de uma das mais corriqueiras expressões da língua inglesa very sorry , que em chinês, como em português, pode significar tanto um sincero sinto muito, sem qualquer conotação de culpa, como um pedido de desculpas.
Os termos da solução da crise foram apresentadas pelo embaixador dos EUA na China, o almirante da reserva Joseph Prueher, numa carta ao chanceler chinês. Prueher lembrou que tanto o presidente George W. Bush como o secretário de Estado Colin Powell já haviam lamentado sinceramente a morte do piloto do avião chinês. Por favor, transmita ao povo chinês e à família do piloto Wang Wei que sentimos muito (we are very sorry) por sua perda.
O trecho da carta que provavelmente permitiu aos diplomatas satisfazer a exigência dos militares chineses de um pedido de desculpas refere-se à invasão do espaço aéreo de seu país pelo avião americano, depois do acidente.
Em Pequim, o porta-voz da chancelaria chinesa disse que a carta do governo americano expressava profundo pesar pelo acidente e profundas condolências ao povo chinês e à família do piloto. Ele sugeriu também que Bush pediu desculpas pelo fato de o avião americano ter pousado na China sem permissão.


