Descobertos planos nucleares do Irã
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004
France Presse 
Viena Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encontraram planos de uma sofisticada e moderna centrifugadora que o Irã não declarou, apesar de ter afirmado que revelou tudo sobre seu programa atômico, informaram ontem diplomatas em Viena.
Fontes confirmaram uma informação parecida que foi publicada ontem no jornal britânico Financial Times. A informação da publicação é ''verdadeira'', declarou à France Presse um diplomata próximo à AIEA, organização da ONU encarregada da segurança nuclear, com sede em Viena.
O jornal, que cita fontes ocidentais, divulgou que esta descoberta está mencionada no relatório sobre o programa nuclear iraniano preparado pelo diretor da AIEA, Mohamed ElBaradei, e que será apresentado em março no conselho de direção da Agência.
A descoberta afeta a credibilidade do Irã, mas não agrega nada às capacidades conhecidas desse país, disse um diplomata ocidental. As centrifugadoras podem ser utilizadas para enriquecer urânio, que alimenta os reatores nucleares, e podem servir para produzir energia ou fabricar uma bomba atômica.
As centrifugadoras são utilizadas na indústria nuclear para separar no mineral de urânio as moléculas de urânio 235, mais leves, e as moléculas de urânio 238, mais pesadas. São necessários 21 kg de urânio 235 enriquecido a 80-90% para se fazer uma bomba atômica, segundo os especialistas.
De acordo com o diplomata, seria necessário que a AIEA descobrisse planos de armamento para alertar o Conselho de Segurança, pois o Irã sempre afirmou que seu programa nuclear era civil e não militar.
O Conselho de diretores da AIEA, que deu ao Irã um ultimato até 31 de outubro passado para que revelasse os detalhes de seu programa nuclear, se reunirá no dia 8 de março para examinar a situação iraniana. A agência afirmou em novembro que o Irã lhe ocultou durante 18 anos os aspectos mais sensíveis de seu programa nuclear, entre eles suas atividades de enriquecimento de urânio.
Acrescentaram que o governo do Irã tem diferenças com a AIEA sobre a forma de suspender as atividades destinadas a produzir esse material. ''Eles mantêm os contratos com empresas locais para montar centrifugadoras. Isso é algo que nós não consideramos aceitável'', disse à AFP um diplomata ocidental vinculado à AIEA.


