A análise completa do genoma do bacilo da tuberculose, enfermidade que mata anualmente cerca de três milhões de pessoas no mundo, acaba de ser finalizada por uma equipe de cientistas franco-britânica e abre caminhos para novas pesquisas terapêuticas.
O resultado, obtido mais de um século depois da descoberta do agente da tuberculose pelo alemão Robert Koch, é de ‘‘uma importância capital’’, conforme Stewart Cole, responsável pela equipe francesa no Instituto Pasteur.
O conhecimento total do padrão genético (o genoma) da bactéria vai se somar às informações necessárias para a concepção de novos meios de luta contra a tuberculose, enfermidade que continua causando mortes no mundo, apesar dos medicamentos existentes e a vacinação.
Este trabalho, iniciado em 1992, permitiu estabelecer identidade genética ou ‘‘sequência completa do genoma da Mycobacterium tuberculosis’’, e foi realizado com o apoio do britânico Bert Barell, do Centro Sanger (Wellcome Trust Genome Unit, Cambdridge, Reino Unido).
Grande parte das capacidades deste genoma, que comporta 4.000 genes, estão destinadas a produção de enzimas que intervêem em todo tipo de lipídios (síntese ou degradação). O bacilo da tuberculose se nutre da gordura das células que infecta como fonte de energia.
Sua resistência natural a numerosos antibióticos está relacionada em grande parte com a sua cobertura, que atua como uma barreira, mas a análise de seu genoma mostra que dispõe de várias outras armas potenciais (enzimas...) para neutralizar os tratamentos.
Um melhor conhecimento de estes mecanismos de resistência deveria permitir melhorar a utilização dos medicamentos atuais e facilitar a concepção de novos produtos.
Esta investigação levou também a descoberta ‘‘inesperada’’ de duas novas famílias de proteínas (‘‘PE’’ e ‘‘PPE’’) que podem ser essenciais para a concepção de vacinas e talvez para explicar os resultados desiguais dos diferentes programas de vacinação por BCG.
‘‘As chaves para vencer o bacilo da tuberculose estão inscritas no seu genoma’’, comentou Douglas Young, especialista britânico em enfermidades infecciosas, na revista ‘‘Nature’’.

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