Estocolmo - Os cientistas australianos Barry J. Marshall e J. Robin Warren ganharam ontem o prêmio Nobel de Medicina por terem provado, apesar do ceticismo da comunidade científica, que as úlceras estomacais têm origem bacteriana e podem ser tratadas com antibióticos, declarou o júri do Nobel no Instituto Karolinska de Estocolmo.
Marshall, de 54 anos, nasceu em Kalgoorlie, oeste da Austrália, e é pesquisador do Centro Médico QEII em Nedlans. Warren, de 68 anos, nasceu em Adelaide, sul da Austrália, e atualmente vive em Perth, onde trabalhou como patologista no Hospital Real até 1999.
Os trabalhos dos dois cientistas, iniciados em 1982 em Perth (oeste da Austrália) jogaram por terra os dogmas sobre estas doenças. Para demonstrar a validade de sua teoria de que a bactéria ''Helicobacter pylori'', que eles identificaram, poderia causar as úlceras, em 1985 Marshall chegou a ingeri-la, caindo muito doente.
Os cientistas australianos ''fizeram a destacada e inesperada descoberta de que tanto a inflamação do estômago (gastrite) quanto a úlcera de estômago ou duodeno (...) são resultantes de uma infecção causada pela bactéria Helicobacter pylori'', destacou o júri.
As úlceras estomacais são das doenças mais comuns da humanidade e, em muitos casos, podem causar o câncer de estômago. ''Graças às descobertas pioneiras de Marshall e Warren, a úlcera peptídica não será mais uma doença crônica, que com frequência gerava incapacidade, mas uma doença que pode ser curada com um breve regime de antibióticos e inibidores de secreções ácidas'', disse o júri em suas considerações.
Antes da descoberta da bactéria, em 1982, o estresse e o estilo de vida eram considerados as principais causas da úlcera, mas atualmente estabeleceu-se com certeza que a ''Helicobacter pylori'' causa mais de 90% das úlceras de duodeno e até 80% das úlceras gástricas.
A identificação da bactéria por Marshall e Warren tornou possível uma grande quantidade de pesquisas em áreas correlatas, sobretudo sobre outras inflamações crônicas.
No ano passado o prêmio Nobel de Medicina foi atribuído conjuntamente aos americanos Richard Axel e Linda B. Buck por seus trabalhos sobre o sistema olfativo.
O Nobel de Medicina, dotado de uma medalha de ouro e de uma quantia em dinheiro no valor de 10 milhões de coroas (1,3 milhão de dólares), é concedido pelo comitê do Instituto Karolinska da capital sueca, um dos maiores hospitais e centro de pesquisas da Europa. A entrega formal será celebrada em 10 de dezembro em Estocolmo.

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