O tema da paz ocupou o centro da campanha eleitoral na Colômbia. Mas as perspectivas de uma solução pacífica para o conflito crônico que vive o país ainda são pequenas e o processo para atingi-la será bastante longo. O novo presidente colombiano terá que iniciar o mais rápido possível, preferencialmente antes mesmo de tomar posse, em agosto próximo, as negociações de paz.
A urgência se deve a dois fatores. Em primeiro lugar, os dois candidatos finalistas se comprometeram a negociar diretamente com os atores da violência no país. Em segundo lugar, o novo presidente colombiano precisa mostrar extrema ousadia, pois, do contrário, corre o risco de ver seu governo desmoralizado por uma nova espiral de violência. O novo presidente tem ainda mais um desafio: iniciar os diálogos de paz em meio à guerra, pois será praticamente impossível obter uma trégua nos conflitos neste momento.
A guerra interna envolve, de um lado, duas guerrilhas de esquerda - as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o ELN (Exército de Libertação Nacional) - e, do outro, diversos grupos paramilitares de direita, reunidos na organização Autodefesas Unidas da Colômbia. O terceiro ator no conflito é, obviamente, o Exército da Colômbia.
‘‘É muito difícil obter uma trégua neste momento porque todos os grupos envolvidos no conflito acham que estão vencendo a guerra, afirma o professor Alejandro Reyes, pesquisador nas áreas de violência e narcotráfico da Universidade Nacional, em Bogotá.
Os números mostram que Reyes está certo. De 90 a 94, os integrantes das guerrilhas saltaram de 7.800 para 10.900. Os paramilitares, que surgiram no final dos anos 80, já são cerca de 5.000. O conflito tem matado cerca de 6.000 pessoas ao ano e outras 200 mil, em especial trabalhadores rurais e habitantes de cidades do interior, são obrigadas a abandonar suas casas para fugir da violência. Ambos os lados são parcialmente financiados pelo narcotráfico, a quem interessa a insegurança.

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