France PresseMáquinas de guerraAviões fazem exercícios ostensivos no porta aviões norte-americano ‘‘George Washington’’, no Golfo Pérsico. A marinha britânica também treina no golfoO presidente Saddam Hussein declarou ontem em Bagdá que o Iraque irá resistir a qualquer ataque dos EUA com todas suas forças, e o ministro do Exterior russo, Yevgeny Primakov expressou dúvidas sobre a possibilidade de se evitar uma ação militar. Primakov tentou refazer suas declarações depois, insistindo que a diplomacia ainda pode triunfar. Os mercados mundiais de petróleo oscilaram depois de suas declarações.
Saddam, falando no início do feriado muçulmano de Eid al-Fitr, mostrou-se desafiante. ‘‘Os fiéis serão vitoriosos’’, disse ele a líderes do governista Partido Baath e do Conselho do Comando Revolucionário. ‘‘Se o diabo empurrar nossos inimigos para o mal e a agressão e eles nos atacarem, seremos forçados a combatê-los com todas as nossas capacidades’’.
Os comentários de Saddam foram feitos no dia em que a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, desembarcava na Europa para aumentar a pressão sobre o Iraque para que o país permita inspeções de armas da ONU em instalações suspeitas. Ela tinha marcada uma reunião com o ministro do Exterior francês, Hubert Vedrine, na noite de ontem em Paris.
Albright advertiu Saddam que os Estados Unidos estão preparados, com ou sem o apoio internacional, para lançar um ataque com sua força de 30 navios de guerra e 300 aviões de combate estacionada no Golfo. ‘‘Penso que não deve haver dúvida sobre o poderio da força dos EUA. Tudo o que qualquer um tem de fazer é ver o que temos lᒒ, disse ela a repórteres. Ela afirmou que ‘‘não sobraram desculpas’’ para Saddam. Enquanto parecia que Washington caminhava para o ataque, a Rússia agia para reassegurar seu papel diplomático numa região vital a seus interesses estratégicos.
O vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, disse numa entrevista à BBC, divulgada ontem, que o Iraque levava a sério a ameaça de ataque dos EUA. ‘‘O cumprimento ou o não-cumprimento (das resoluções da ONU) não é a questão para os americanos. A questão para os americanos é a mudança deste governo (a queda de Saddam), e ele irá sobreviver assim como o fez depois de 1991. Os americanos não alcançaram seu objetivo naquela época e não irão alcançá-lo agora’’, afirmou.
Chamada de ‘‘bruxa velha’’ pelo jornal iraquiano ‘‘Babel’’ (de propriedade de Uday Hussein, filho de Saddam), Albright iniciou em Paris uma série de encontros com colegas europeus para organizar o lançamento de ‘‘uma forte resposta internacional’’ a Saddam por este obstruir o trabalho de inspetores americanos de armas e recusar-se a abrir seus palácios - suspeitos de esconder armamento de destruição em massa - às equipes de vistoria da ONU.
A Grã-Bretanha já está treinando suas forças no Golfo para um possível ataque em conjunto com os americanos. Já a Rússia, a França e a China, outros membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (onde têm poder de veto), são contra o uso da força. Apesar disso, segundo a imprensa americana, o Pentágono já tem planos para lançar uma campanha de bombardeio de vários dias contra o Iraque em meados de fevereiro. Para discutir a possibilidade de ataque, o presidente americano, Bill Clinton, ligou ontem para o primeiro-ministro canadense, Jean Chrétien.
Segundo o chefe da Comissão Especial da ONU (Unscom, encarregada de supervisionar o desarmamento do Iraque), Richard Butler, Bagdá tem armas biológicas capazes de ‘‘arrasar Tel-Aviv’’. Tal declaração, embora contestada pela França e pela Rússia, causou inquietação em Israel, onde a população está renovando seu estoque de máscaras antigás. O governo israelense, mesmo considerando remota a possibilidade de um ataque iraquiano, promete uma dura resposta caso este se concretize.

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