Associated Press
De Washington
A derrota de George W. Bush nas primárias republicanas em New Hampshire obrigará o governador do Texas – até agora, grande favorito na corrida à Casa Branca – a ajustar sua estratégia. John McCain, senador pelo Arizona, obteve uma vitória de 18 pontos de vantagem sobre o filho do ex-presidente George Bush.
O triunfo de McCain em New Hampshire não foi uma surpresa, mas a diferença de votos que ele conseguiu sobre Bush começa a preocupar os assessores do governador. Imediatamente depois de conhecer os números da primária do Estado – 49% para McCain e 31% para ele – Bush cumprimentou-o, disse que aquela noite era dele (de McCain), mas lançou-se sem demora à ofensiva. Horas depois o governador do Texas multiplicou seus ataques a McCain, tachando-o de ‘‘moderado’’ e ‘‘candidato da esquerda’’, numa tentativa de situar-se como o único candidato da direita republicana.
As prévias da Carolina do Sul, próxima etapa da primárias norte-americanas, realizam-se dia 19. A atitude de Bush confirma as previsões de muitos analistas, de que uma derrota humilhante de Bush em New Hampshire deveria torná-lo um candidato mais agressivo, como vêm cobrando seus partidários.
Antes favorito para conquistar a presidência em novembro, Bush veio perdendo terreno até ficar praticamente empatado com o vice-presidente, o democrata Albert Gore. Em New Hampshire, Gore conseguiu ao menos manter-se à frente do ex-senador Bill Bradley – único rival dele no Partido Democrata. O vice-presidente venceu as primárias com 52% dos votos, enquanto Bradley, ex-senador por New Jersey, obteve 48%.
‘‘A vitória de McCain deu-se por causa de seus ataques à proposta de Bush de baixar impostos’’, analisou ontem o ‘‘The New York Times’’: ‘‘E o triunfo é ainda mais surpreendente porque as pesquisas demonstram que ele se baseia não somente no núcleo de independentes, mas também no apoio amplo dos republicanos puros e duros que o comitê de campanha de Bush considerava como seus eleitores mais seguros’’.
Até agora, o discurso de Bush vinha-se dirigindo ao conservadorismo moderado, arriscando-se a perder a extrema direita, apregoando principalmente o corte de imposto e o aumento da assistência aos mais pobres. ‘‘O governador do Texas vai ter de mostrar agora como reage ante a adversidade’’, estimou o especialista em Ciencias Políticas da Universidade Americana de Washington, Allan Lichtman.

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