Deputados criticam liberdade de imprensa na América Latina
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sábado, 28 de abril de 2012
Andrea Murta <br> Folhapress 
Washington - Em evento na Câmara dos Representantes (deputados) dos Estados Unidos na última semana, congressistas americanos e especialistas de vários países criticaram duramente os governos latino-americanos pela piora na liberdade de imprensa na região. O Brasil foi poupado. ''Alguns desses líderes [latinos] podem até ter sido eleitos democraticamente, mas não governam democraticamente'', disse Ileana Ros-Lehtinen (republicana conservadora da Flórida), que preside a comissão de Relações Exteriores da Câmara.
Ros Lehtinen, filha de refugiados do regime de Fidel Castro, dedicou boa parte de seu discurso a Cuba, que, afirmou, ''segue sendo um modelo de Estado autoritário que persegue todos os seus críticos''.
Venezuela, Equador, Panamá, Bolívia e Argentina - cuja presidente, Cristina Kirchner, ''manipula a compra de anúncios para punir meios críticos ao governo'' - tambem mereceram menções. Kirchner também ''tenta silenciar jornalistas e economistas que tentam falar sobre a situação econômica do país'', afirmou Ros-Lehtinen.
Praticamente a totalidade do evento foi dedicada a problemas em países com governos de tendência esquerdista. O Equador foi foco especial devido à presença de um ex-presidente (Osvaldo Hurtado, 1981-1984) e dois atuais congressistas de oposição, que acusaram o presidente Rafael Correa de ter eleito jornalistas como inimigos número 1 do Estado.
O deputado Eliot Engel (Nova York), mais importante democrata da subcomissão da Câmara para o Hemisfério Ocidental, disse que ''não importa se o governo é de direita ou esquerda, somos sempre contra a censura''.
Um dos organizadores do painel, o ex-subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental Otto Reich, afirmou que os EUA seguirão tentando ajudar os países latinos a reagir contra ameaças à liberdade de imprensa.
À reportagem ele afirmou que há ações específicas sendo planejadas para isso, mas não quis detalhar quais.Indagado sobre o Brasil, Reich disse que ''não parece que a imprensa brasileira está sob o tipo de ataque que alguns dos países destacados estão''.
O evento, organizado por grupos conservadores, ainda ouviu outros oito jornalistas, editores e outros membros da imprensa latina sobre suas experiências com a censura e a pressão governamental dos governantes da região.


