Deputados britânicos querem destituir Tony Blair
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quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Das agências 
Londres - Pela primeira vez em 198 anos, um grupo de deputados apresentou pedido de impeachment para destituir o primeiro-ministro britânico, acusando Tony Blair de abuso flagrante de sua função em relação à guerra no Iraque, texto que não tem nenhuma chance de ser aprovado.
Apresentada oficialmente ontem na Câmara dos Comuns, a moção para destituir o líder trabalhista recebeu o apoio de 23 parlamentares, incluindo 10 conservadores e dois do Partido Liberal Democrata, assim como nove separatistas, de Gales e da Escócia.
O texto pede a saída de Blair por ter abusado flagrantemente de sua função na apresentação do caso iraquiano antes da guerra, garantindo que o país tinha armas de destruição em massa, e na sua política em relação a esta guerra.
A moção não recebeu o apoio oficial de nenhum dos principais partidos de oposição na Grã-Bretanha: os conservadores (tories) e os liberal-democratas. Mesmo que seja levada à votação, esta moção não tem nenhuma possibilidade de ser aprovada na Câmara dos Comuns, que possui uma forte maioria de deputados trabalhistas, com 407 cadeiras de um total de 659.
Até mesmo a probabilidade do texto ser submetido à votação dos deputados é mínima, já que o presidente dos Comuns é trabalhista. A última vez que uma moção desse tipo havia sido apresentada foi em 1806.
Por outro lado, o governo britânico revelou ontem seu plano de criar uma agência de segurança britânica equivalente ao FBI (polícia federal americana), para combater fraudes, narcotráfico e crimes na internet. A medida faz parte de um pacote que também visa combater o terrorismo.
A Agência para Crimes Sérios e Organizados, que vai contar com um corpo de cerca de cinco mil investigadores, é a principal ação de um projeto que envolve outras medidas de segurança, divulgadas por Blair durante uma sessão no Parlamento realizada ontem.
O pacote regula a existência de tribunais sem júri para os suspeitos de atividades terroristas, um sofisticado sistema de identificação de civis, e sugere o banimento para quem incorrer no crime de intolerância religiosa. O novo projeto de lei mostra a determinação do primeiro-ministro em inserir a segurança como item principal em sua agenda eleitoral.
Em maio do próximo ano está prevista uma eleição para a escolha do próximo premiê britânico, e Blair vai concorrer à reeleição. O crime organizado afeta todos nós. Ele está enraizado na comunidade, destrói vidas pelo uso das drogas, contrabando e prostituição, disse o ministro do Interior britânico, David Blunkett, em um comunicado divulgado ontem.
Críticos acusam Blair de criar um clima de terror para ganhar as eleições. Ele estaria usando as mesmas táticas que o presidente americano George W. Bush usou.


