A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou ontem uma reforma do Código Civil para permitir os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, uma iniciativa impulsionada por grupos de homossexuais e rejeitada por setores religiosos. Após 12 horas de debate, a reforma foi aprovada por 126 votos a favor, 109 contra e cinco abstenções. Falta agora a aprovação do Senado para que o projeto entre em vigor.
Desde dezembro passado, quatro casais de gays e um casal de lésbicas se casaram na Argentina, em meio a uma polêmica judicial entre Província, cidade e governo federal. Outros mais de 60 casais apresentaram recursos para conseguir realizar o matrimônio.
Pequenos grupos de apoio aos direitos dos gays se reuniram do lado de fora do Congresso, a espera da decisão. Os deputados modificaram vários artigos do Código Civil, nos quais os termos ''marido e mulher'' foram substituídos por ''contraentes'' (que contraem matrimônio). O projeto permite ainda a adoção de crianças por casais gays, um dos seus itens mais polêmicos.
Caso a lei seja aprovada no Senado, a Argentina será o primeiro país na predominantemente católica América Latina a permitir união entre pessoas do mesmo sexo. O vizinho Uruguai concede vários direitos, como a adoção, para casais gays em união civil, mas não permite que se casem.

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