Deputados aprovam acordo na Argentina
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quarta-feira, 16 de março de 2016
Luciana Dyniewicz<br>Folhapress 
Buenos Aires - Doze dias após começar a tramitar no Congresso e depois de uma sessão de quase 21 horas, o projeto que permite ao governo argentino pagar os fundos abutres foi aprovado ontem na Câmara dos Deputados. Essa foi a primeira vitória importante do presidente Mauricio Macri no Congresso, onde apenas 90 das 257 cadeiras são governistas.
Com a ajuda do deputado Sergio Massa (que concorreu com Macri na eleição para presidente) e de dissidentes kirchneristas, o governo conseguiu 165 votos a favor. Foram 86 contra, nenhuma abstenção e cinco ausências o presidente da casa não vota.
O projeto ainda precisa passar pelo Senado. Na Câmara Superior, a oposição tem a maioria absoluta (42 de 72 parlamentares). Os senadores, porém, são considerados mais flexíveis que os deputados alinhados ao kirchnerismo, o que deve facilitar a tramitação. Caso haja uma aprovação no Senado, o governo precisará emitir US$ 12 bilhões (cerca de R$ 45 bilhões) em títulos para ter recursos para pagar os abutres. Essa emissão será a maior de um emergente nos últimos 20 anos o México fez uma operação parecida em 1996.
Para o economista Camilo Tiscornia, diretor da consultoria C&T, endividar-se não será um problema para o governo, já que a Argentina tem hoje uma dívida externa pequena - "a pública é inferior a 20% do PIB". "Também não deverá haver dificuldades para vender os títulos. O país não faz emissões há anos. Muitos fundos não têm papel argentino e devem se interessar por eles", declarou.
Após pagar os abutres, a Argentina poderá voltar ao mercado internacional de crédito. O financiamento no exterior é essencial para que Macri possa concretizar seu plano de investimentos. Nos últimos dias, o governo pressionou os deputados afirmando que, caso o projeto não passasse e os credores não fossem pagos, haveria uma hiperinflação e seria necessário fazer ajuste fiscal.
21 HORAS
A sessão na Câmara começou ao meio-dia de terça e foi concluída pouco depois das 8h30 da quarta. Do lado de fora do Congresso, associações de esquerda e kirchneristas protestaram contra o acordo com cartazes nos quais se lia "pátria ou abutres". O ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, esteve presente para defender o projeto. A expectativa do governo é ter a lei aprovada na última semana de março. O governo tem pressa, pois o acordo fechado com os credores, que garante um deságio de 25% para a Argentina, colocou o dia 14 de abril como prazo para o pagamento.


