O deputado federal Roque Zimermman (PT-PR), representante da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal, visita hoje o ex-padre e integrante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Francisco Antonio Cadena Collazos, preso desde 22 de setembro na Polícia Federal, em Foz do Iguaçu.
Mesmo não tendo sido ouvido pela Justiça brasileira, representantes da Comissão em Foz garantiram que Cadena não será mais deportado do País até o caso ser analisado detalhadamente em Brasília. A determinação foi feita pela juíza da 4ª Região da Justiça Federal de Porto Alegre (RS), Tânia Cardoso Escobar. ‘‘Cadena teve o visto cancelado sob acusação de diversos crimes em seu país sem que pudesse se defender. Pela Constituição (brasileira), o acusado tem direito a isso’’, disse o advogado do Movimento Nacional dos Direitos Humanos em Foz, Pedro Garcia Ruiz. Mesmo com a liminar decretada pela juíza, o guerrilheiro não responderá pelo processo em liberdade.
Padre Roque, como é conhecido Zimmermann, chegará a Foz às 9h30 e seguirá direto para a delegacia da Polícia Federal, onde conversará com Cadena e também avaliará as condições em que ele se encontra na cadeia. O deputado também retransmitirá o apoio dado pelo presidente da Comissão, Marcos Rolim, apresentado em um manifesto assinado no dia seguinte à prisão. No texto, Rolim destaca que ‘‘a atuação de Cadena tem respaldo na Constituição Federal, nos tratados e também convenções internacionais dos quais o Brasil é parte.’’
Considerado o relações públicas das Farc no Brasil, Cadena (também conhecido como Olivério Medina) foi preso no momento em que tentava renovar o visto. Na delegacia, ele ficou sabendo que um pedido de prisão e deportação já havia sido determinado pela Justiça Federal no dia 13 de setembro deste ano, conforme solicitação enviada pela Embaixada do Brasil em Bogotá, capital colombiana.
O ex-padre negou que estivesse envolvimento em sequestros e homicídios, conforme acusam as autoridades da Colômbia. Disse que mantém residência fixa em Medianeira (65 km de Foz) e que ministra palestras em todo o País sobre a revolução, sem jamais se esconder da polícia brasileira.