Deputado ficou 20 horas preso em hotel
Em missão oficial em Nova York e hospedado nas proximidades do World Trade Center, o primeiro-secretário da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PPB-PE), escapou ileso do atentado às torres gêmeas destruídas pelos terroristas, mas está traumatizado.
Pudera. Mal saía do hotel à pé, em direção ao prédio da Organização das Nações Unidas (ONU), foi colhido pela polícia sem saber o porquê, passou 20 horas literalmente preso dentro do quarto do hotel, sem comunicação com o resto do mundo e sem uma só explicação na única língua que sabe falar o português.
Único representante do Congresso brasileiro na Liga para a Liberdade e a Democracia, promovida pela ONU, Severino só conseguiu se comunicar com o Brasil às 4h45 da madrugada de quarta-feira, apesar da busca incessante dos funcionários e familiares, e do empenho do presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), em localizá-lo, com a ajuda do consulado brasileiro. Só 20 horas depois do atentado à primeira torre do World Trade Center, a polícia restabeleceu a comunicação telefônica do Hotel Millenium em que se hospedara o parlamentar.
''Sou tão crente em Deus, mas tive de presenciar o inferno'', queixou-se o deputado ao filho José Maurício, já a salvo, por telefone. Apesar da fé inabalável de católico praticante, Severino foi ao desespero. Hospedado com a mulher Amélia Catarina no mesmo hotel das demais delegações estrangeiras convidadas pela ONU, todos acabaram engrossando a lista de suspeitos do FBI, que caçava os terroristas.





