O representante da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal, deputado Roque Zimmermann (PT-PR), avaliou como ‘‘satisfatórias’’ as condições em que o ex-padre e guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Francisco Antonio Cadena Collazos, está vivendo há 14 dias na delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Zimmermann destacou que ‘‘o governo brasileiro precisa avaliar o caso com mais maturidade, já que pode enviar um homem à morte, caso ocorra a deportação’’.
A visita do deputado à Cadena, ontem, foi às 10 horas. Padre Roque, como é conhecido, falou com o preso durante duas horas, período em que avaliou as condições da cela onde Cadena estava detido. Os dois ainda conversaram sobre a determinação feita há oito dias – mas divulgada somente anteontem – pela juíza da 4ª Região da Justiça Federal em Porto Alegre (RS), Tânia Cardoso Escobar, que impediu a deportação sumária do colombiano, prevista no ofício enviado dia 13 de setembro pelo Núcleo de Polícia Marítima, Aeroportuária e de Fronteiras (NPMAF) do Ministério da Justiça. ‘‘O Brasil faz parte de um tratado internacional em que o direito de defesa é pleno. Ele fica no País até que a Justiça Federal analise melhor o caso’’, comentou o deputado, reiterando que a decisão da juíza não autorizou a libertação do preso, mesmo sem haver processos instaurados no Brasil contra ele. O Movimento Nacional pelos Direitos Humanos está tentando cassar, dentro dos próximos dias, a determinação judicial que cancelou o visto de permanência do acusado.
Padre Roque destacou que o colombiano jamais tentou formar guerrilheiros no Brasil, mas apenas divulgar o movimento. Disse ainda que, para a Comissão da Câmara Federal, seria arriscado mantê-lo solto no País devido a possíveis perseguições políticas. ‘‘Estamos estudando meios de enviar o colombiano a outro país. A Espanha já demonstrou interesse em dar asilo’’, informou.
Durante um breve contato com a imprensa, Cadena disse que ainda estava sem compreender o motivo da prisão, já que está no Brasil há quase três anos, fazendo palestras em universidades e sindicatos. Levado rapidamente para a cela, o colombiano expressou suas esperanças em uma única palavra: ‘‘Venceremos!’’

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