Deputado diz que deportação será fatal para guerrilheiro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de outubro de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
O representante da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal, deputado Roque Zimmermann (PT-PR), avaliou como satisfatórias as condições em que o ex-padre e guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Francisco Antonio Cadena Collazos, está vivendo há 14 dias na delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Zimmermann destacou que o governo brasileiro precisa avaliar o caso com mais maturidade, já que pode enviar um homem à morte, caso ocorra a deportação.
A visita do deputado à Cadena, ontem, foi às 10 horas. Padre Roque, como é conhecido, falou com o preso durante duas horas, período em que avaliou as condições da cela onde Cadena estava detido. Os dois ainda conversaram sobre a determinação feita há oito dias mas divulgada somente anteontem pela juíza da 4ª Região da Justiça Federal em Porto Alegre (RS), Tânia Cardoso Escobar, que impediu a deportação sumária do colombiano, prevista no ofício enviado dia 13 de setembro pelo Núcleo de Polícia Marítima, Aeroportuária e de Fronteiras (NPMAF) do Ministério da Justiça. O Brasil faz parte de um tratado internacional em que o direito de defesa é pleno. Ele fica no País até que a Justiça Federal analise melhor o caso, comentou o deputado, reiterando que a decisão da juíza não autorizou a libertação do preso, mesmo sem haver processos instaurados no Brasil contra ele. O Movimento Nacional pelos Direitos Humanos está tentando cassar, dentro dos próximos dias, a determinação judicial que cancelou o visto de permanência do acusado.
Padre Roque destacou que o colombiano jamais tentou formar guerrilheiros no Brasil, mas apenas divulgar o movimento. Disse ainda que, para a Comissão da Câmara Federal, seria arriscado mantê-lo solto no País devido a possíveis perseguições políticas. Estamos estudando meios de enviar o colombiano a outro país. A Espanha já demonstrou interesse em dar asilo, informou.
Durante um breve contato com a imprensa, Cadena disse que ainda estava sem compreender o motivo da prisão, já que está no Brasil há quase três anos, fazendo palestras em universidades e sindicatos. Levado rapidamente para a cela, o colombiano expressou suas esperanças em uma única palavra: Venceremos!


