Depois do terremoto, o dilúvio
Hervé Rouach
Associated Press
Fortes chuvas atingiram esta segunda-feira o noroeste da Turquia, aumentando o risco de epidemias durante o trabalho das equipes de resgate. A chuva aumentou o sentimento de desolação e abandono dos habitantes desta cidade, onde casas e edifícios foram destruídos ou muito danificadas pelo terremoto. Cerca de 3 mil pessoas perderam a vida em Adapazari, capital da província de Sakarya, um centro industrial que antes da catástrofe tinha cerca de 200 mil habitantes.
Enormes poças de água e lama se formaram nas rachaduras abertas pelo tremor de terra, de 7,4 graus na escala Richter, já que o sistema de drenagem de água quase não funciona. Por outro lado, a circulação de veículos é muito difícil.
O sistema de esgotos está entupido. Foi danificado pelo terremoto. Mas a prefeitura tenta reabrir os canais mais importantes. Em algumas ruas, o esgoto funciona. Nestes locais, por exemplo, foram instalados banheiros públicos, disse Ismail Ertugrul, um inspetor do Ministério do Interior.
Estamos num terreno em declive e para nós a chuva é uma nova desgraça, disse um idoso que se dirigia ao centro da cidade, onde foram instaladas caixas provisórias de bancos. Ele quer retirar suas economias antes de partir com a família a um dos acampamentos instalados pelo exército perto das cidades mais atingidas.
Segundo Ertugrul, 5 mil barracas serão colocadas em quatro pontos diferentes, nos arredores de Adapazari. Ao todo, 25 mil pessoas poderão se alojar no local em breve, disse o inspetor.
O município estima que essas barracas podem constituir uma primeira resposta à inquietude sobre a extrema precariedade sanitária. Algumas medidas foram tomadas. Durante o domingo, foram distribuídos produtos desinfetantes à base de cloro e nos cemitérios os túmulos foram cobertos de cal para limitar a propagação de pragas.
A situação é angustiante porque a chuva durará vários dias, disse Ertugrul.





