Depois do Afeganistão, George W. Bush chega à Índia
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quarta-feira, 01 de março de 2006
Folhapress 
São Paulo - O presidente americano, George W. Bush, deu início a uma visita de três dias pela Índia ontem com o objetivo de aquecer as relações dos Estados Unidos com o país asiático, mas disse não estar seguro de que conseguirá firmar o acordo bilateral de cooperação nuclear.
Bush quer compartilhar a tecnologia nuclear americana com a Índia para auxiliar no crescimento da economia indiana, mesmo que Nova Délhi continue se negando a participar do tratado internacional de não-proliferação nuclear.
Se alcançado, o acordo deve representar uma grande mudança na política dos Estados Unidos, que impôs sanções temporárias para a Índia em 1998, depois que o país promoveu testes nucleares. ''Nós vamos continuar trabalhando e dialogando, e tenho confiança de que conseguiremos alcançar um entendimento'', disse Bush. ''Senão nós continuaremos a trabalhar nisto até que o alcancemos'', declarou.
Bush, cujos compromissos oficiais começam hoje, chegou à capital indiana às 19h40 (11h10 em Brasília) após uma escala não anunciada de quatro horas no Afeganistão, onde se reuniu com o presidente afegão, Hamid Karzai.
Durante sua estadia no Afeganistão, Bush disse que os negociadores estavam dando continuidade, de dentro do avião, ao diálogo para tentar fechar o acordo, mas admitiu que se trata de um assunto ''difícil'' para os dois governos.
Bush ressaltou que ''interessa aos países do mundo que a Índia desenvolva uma indústria de energia nuclear, porque contribuirá para reduzir a demanda por combustíveis fósseis e diminuir o preço da gasolina nos postos de gasolina''.
Os EUA querem que a Índia, que não assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), separe claramente seus programas atômicos civil e militar e submeta o projeto com fins pacíficos à inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Os países discordam sobre o número de reatores, de um total de 22, que podem ser considerados civis na Índia.
Os EUA também querem salvaguardas que garantam que, uma vez que uma instalação seja qualificada como civil, a denominação seja irreversível e não seja possível determinar depois que é de uso militar.
Durante o vôo presidencial, a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, explicou que seu país quer impedir que o material nuclear que a Índia venha a receber seja destinado à fabricação de novo armamento que possa provocar uma corrida armamentista com o Paquistão.
Em troca do ''sim'' indiano, os EUA se comprometem a obter o sinal verde do Congresso e do grupo de países exportadores de material nuclear para que Índia tenha acesso à tecnologia nuclear estrangeira de que precisa para satisfazer suas necessidades energéticas cada vez maiores.
O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, declarou que ''o acordo seria uma grande contribuição de Bush para pôr fim ao isolamento indiano da ordem nuclear mundial''.
Singh e Bush discutirão hoje, antes de um encontro do presidente dos Estados Unidos com empresários de seu país e indianos, para criar uma agenda abrangendo questões comerciais e a cooperação em campos como a agricultura.
Tanto Bush quanto membros de seu governo insistiram em que a relevância da visita vai além do acordo nuclear. Após encontrar Singh, Bush deve se reunir com líderes religiosos e com Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso.
Na sexta-feira, o líder americano irá a Hyderabad, um dos focos do ''boom'' tecnológico indiano, para visitar a Universidade Agrícola e conversar com jovens empresários do país. Antes de viajar ao Paquistão, última etapa de sua viagem, Bush pronunciará um discurso sobre as relações entre a Índia e os EUA.


