Depois de décadas, oposição obtém vitória histórica no Japão
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de agosto de 2009
Raul Juste Lores<br> Folhapress 
Tóquio- A oposição japonesa conquistou ontem quase dois terços da Câmara dos Deputados, na maior reviravolta eleitoral do país desde a Segunda Guerra Mundial.
A apuração não havia terminado até às 17h30, mas meios de comunicação japoneses previam que o centrista Partido Democrata do Japão (PDJ) ocupará 308 assentos do Parlamento (de um total de 480), quase triplicando os 112 deputados que tinha na atual composição. Seu líder, Yukio Hatoyama, 62, se tornará premiê em duas semanas.
O conservador Partido Liberal Democrata (PLD), que governou o país por 54 dos últimos 55 anos (a exceção foi um breve período em 1994), perdeu, por sua vez, quase dois terços das cadeiras que tinha no Parlamento, recuando de 303 para 119. ''O descontentamento do povo é maior do que o imaginado'', afirmou Hatoyama ontem à noite em coletiva. ''Esta vitória está a serviço do povo e dos mais pobres.''
Em sua campanha, ele lançou um manifesto prometendo reforçar o estado de bem-estar social no Japão, acusando o neoliberalismo dos anos do ex-premiê Junichiro Koizumi (2001-2006) pela atual crise que o país vive.
Os democratas também apresentaram diversos candidatos jovens, em contraste com os sexagenários e septuagenários que dominam a política do PLD. Em vários cartazes, aparecia escrito ''change'' (mudança), em inglês mesmo, uma alusão ao marketing da campanha de Barack Obama nos EUA.
Apesar do discurso reformista, o engenheiro Hatoyama, com pós-graduação em Stanford, é do establisment político nipônico. Seu avô foi primeiro-ministro entre 1954 e 1956 e seu pai foi chanceler, ambos pelo PLD.
A crise econômica é considerada a maior culpada pela derrocada governista, principalmente por conta da queda das exportações para os mercados americano e europeu. Quatro dos últimos cinco trimestres tiveram queda no PIB e o desemprego é um dos mais altos em 30 anos.
Vários pacotes de estímulo lançados por Aso em seus dez meses no poder (o país teve três premiês nos últimos três anos) não conseguiram mudar a falta de confiança do empresariado e dos consumidores japoneses.
Aso abandonou ontem a presidência de seu partido e assumiu a responsabilidade pela derrota.


