Depois de 10 anos, EUA voltam a vender armas
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segunda-feira, 13 de setembro de 2004
France Presse 
Washington - As armas semi-automáticas voltarão a ser vendidas nos Estados Unidos a partir desta terça-feira, quando termina a proibição legal em vigor há dez anos, a não ser que aconteça uma manobra parlamentar de última hora.
Assim como às armas mais leves, a população terá acesso também aos fuzis AK-47, Uzis e a outros 17 tipos de armas. A lei (promulgada em 1994 no governo Bill Clinton) que proíbe as armas de assalto expira à meia-noite desta segunda-feira e os parlamentares americanos, a sete semanas das eleições presidenciais, dão sinais de que não se mobilizaram para prorrogar a lei.
''A proibição vai expirar nesta segunda-feira. É isso'', disse o parlamentar Tom Delay, líder da maioria republicana da Câmara dos Deputados. A lei entrou em vigor depois que as armas semi-automáticas foram utilizadas em vários assassinatos pelo país. Elas foram usadas também pela seita Davidiana, que em fevereiro de 1993 se entrincheirou em Waco, Texas (centro-sul), num caso que teve um desfecho sangrento.
A lei entrou em vigor apoiada por uma organização que luta contra a violência com armas de fogo, a Campanha Brady, que, segundo dados da própria entidade, recolheu mais de meio milhão de assinaturas.
Uma pesquisa do Centro Annenberg da Universidade da Pensilvânia, publicado na semana passada, mostra que mais de dos terços (68%) dos americanos apóiam a prorrogação da vigência da lei.
O candidato democrata à presidência, John Kerry, acusou nesta segunda-feira o presidente George W. Bush de facilitar ''a tarefa dos terroristas'' por não prorrogar a lei que proíbe não só a venda, mas também a fabricação de armas de assalto semi-automáticas. ''Ao lado da grande maioria dos americanos, peço a George W. Bush que proteja nossa polícia e nossa segurança mantendo as armas de assalto fora das ruas'', disse Kerry.
Algumas organizações, como a poderosa Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), que afirma ter cerca de quatro milhões de adeptos, sempre pediram a revogação da lei. A NRA argumenta que a proibição não impediu o massacre do colégio Columbine, em 1999, nem a série de crimes cometidos em 2002 pelos franco-atiradores de Washington, John Malvo e John Muhammad.


