Depois da prisão de Maduro, vice é reconhecida como interina
Após captura de Nicolás Maduro pelos EUA, Supremo Tribunal de Justiça e Forças Armadas da Venezuela reconhecem Delcy Rodríguez na presidência
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de janeiro de 2026
Após captura de Nicolás Maduro pelos EUA, Supremo Tribunal de Justiça e Forças Armadas da Venezuela reconhecem Delcy Rodríguez na presidência
France Presse 

As Forças Armadas venezuelanas reconheceram neste domingo (4) a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, como presidente interina da Venezuela.
Em vídeo, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, também rechaçou a intervenção norte-americana no país e exigiu a libertação do presidente Nicolas Maduro, capturado pelo governo dos Estados Unidos. López avaliou que o ataque representa “uma ameaça global”.
“Se hoje foi contra a Venezuela, amanhã pode ser contra qualquer Estado, contra qualquer país”.
“Rechaçamos essa pretensão colonialista que se deseja implementar, sob o espírito da doutrina Monroe, sobre a América Latina e o Caribe”, disse o ministro, ao pedir ao povo da Venezuela que retome suas atividades ao longo dos próximos dias.
O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ, na sigla em espanhol) já havia decidido que Delcy Rodríguez deveria assumir a presidência interina do país, após a captura do líder Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
TRUMP FAZ AMEAÇAS
Donald Trump também advertiu, neste domingo (4), que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pagará "um preço muito alto" se não cooperar com os Estados Unidos, depois que forças americanas capturaram e prenderam o presidente Nicolás Maduro.
"Se ela não fizer a coisa certa, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro", disse Trump à revista The Atlantic em uma breve entrevista por telefone.

COMO FOI O ATAQUE
No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana, Caracas. Em meio ao ataque militar, realizado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.
O ataque marcou um novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.
Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel.
O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.
Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país.
Cerca de 40 pessoas, entre civis e soldados, morreram durante o ataque.

TRIBUNAL NOS EUA
O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, comparecerá diante de um juiz de Nova York nesta segunda-feira (5) ao meio-dia, anunciou o tribunal, que lhe notificará formalmente as acusações apresentadas contra ele.
Acusado pela Justiça dos Estados Unidos por crimes de narcotráfico e terrorismo, Maduro, capturado em Caracas no sábado por meio de uma operação americana, comparecerá perante o Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan.


