As Forças Armadas venezuelanas reconheceram neste domingo (4) a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, como presidente interina da Venezuela.

Em vídeo, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, também rechaçou a intervenção norte-americana no país e exigiu a libertação do presidente Nicolas Maduro, capturado pelo governo dos Estados Unidos. López avaliou que o ataque representa “uma ameaça global”.

“Se hoje foi contra a Venezuela, amanhã pode ser contra qualquer Estado, contra qualquer país”.

“Rechaçamos essa pretensão colonialista que se deseja implementar, sob o espírito da doutrina Monroe, sobre a América Latina e o Caribe”, disse o ministro, ao pedir ao povo da Venezuela que retome suas atividades ao longo dos próximos dias.

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ, na sigla em espanhol) já havia decidido que Delcy Rodríguez deveria assumir a presidência interina do país, após a captura do líder Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

TRUMP FAZ AMEAÇAS

Donald Trump também advertiu, neste domingo (4), que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pagará "um preço muito alto" se não cooperar com os Estados Unidos, depois que forças americanas capturaram e prenderam o presidente Nicolás Maduro.

"Se ela não fizer a coisa certa, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro", disse Trump à revista The Atlantic em uma breve entrevista por telefone.

No fim de semana, venezuelanos saíram às ruas de Caracas, após a captura de Nicolás Maduro, pedindo sua volta ao governo
No fim de semana, venezuelanos saíram às ruas de Caracas, após a captura de Nicolás Maduro, pedindo sua volta ao governo | Foto: Juan Barreto/ AFP

COMO FOI O ATAQUE

No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana, Caracas. Em meio ao ataque militar, realizado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

O ataque marcou um novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel.

O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.

Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país.

Cerca de 40 pessoas, entre civis e soldados, morreram durante o ataque.

Ataque dos EUA no sábado (4), deixou cerca de 40 mortos entre soldados e civis
Ataque dos EUA no sábado (4), deixou cerca de 40 mortos entre soldados e civis | Foto: Federico Parra/ AFP

TRIBUNAL NOS EUA

O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, comparecerá diante de um juiz de Nova York nesta segunda-feira (5) ao meio-dia, anunciou o tribunal, que lhe notificará formalmente as acusações apresentadas contra ele.

Acusado pela Justiça dos Estados Unidos por crimes de narcotráfico e terrorismo, Maduro, capturado em Caracas no sábado por meio de uma operação americana, comparecerá perante o Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan.

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