Depois da destruição, novo tufão ameaça Filipinas
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sexta-feira, 03 de dezembro de 2004
France Presse 
Real - Mais de 900 pessoas morreram ou estão desaparecidas depois das inundações e deslizamentos de terra causados por uma tempestade tropical nas Filipinas, informou ontem uma fonte militar, lembrando que um novo e mais poderoso tufão se aproxima da ilha de Luzon.
Um funcionário do exército no centro de operações da cidade de Real confirmou que 484 corpos foram recuperados e 352 estão desaparecidos nas cidades de Real, Infanta e General Nakar. As localidades, que ficam na costa leste da ilha de Luzon, foram as mais afetadas pela tempestade que assola as Filipinas, um arquipélago com uma população de 84 milhões de pessoas.
A Defesa Civil em Manila registrou 48 mortos e 38 desaparecidos no restante do país, o que eleva o saldo nacional a 532 mortos e 390 desaparecidos. O secretário da Saúde, Manuel Dayrit, pediu às comunidades afetadas que se apressem em enterrar os seus mortos para evitar epidemias. ''Tão logo seja possível, os corpos devem ser enterrados para minimizar a proliferação de doenças'', destacou.
Luzon se preparava para a fúria do tufão Nanmadol ontem já que o fenômeno provocou a morte de um homem em uma ilha afastada, que também teve a rede de energia danificada. Socorristas estão com muita dificuldade para recuperar os corpos das vítimas da tempestade tropical.
O governo suspendeu o serviço de lanchas entre as ilhas e vem mantendo aeronaves no solo em Luzon, deixando milhares de passageiros presos, no momento em que o Nanmadol começou a castigar a ilha de Catanduanes no meio da manhã com picos de ventania de 220 km/h.
A presidenta Gloria Arroyo fechou escolas ontem e mandou para casa os funcionários não imprescindíveis ao governo. Também colocou os helicópteros presidenciais à disposição das equipes de resgate. Mais tarde, ela foi de van até o subúrbio de Real, onde distribuiu suprimentos nos abrigos montados para os sobreviventes. Arroyo, contudo, não pôde demorar no local já que os ventos começaram a ficar mais fortes e a chuva começou a cair.
A Cruz Vermelha disse que o Nanmadol matou pelo menos uma pessoa em Catanduanes, enquanto outras 1.500 de cinco cidades da região se refugiaram em abrigos montados pelo governo. Os meteorologistas acreditam que o tufão deveria atingir a costa leste de Luzon no começo da noite de ontem, com o olho do fenômeno passando perto de Real.
A força aérea e a marinha informaram que os resgates por ar e mar às vítimas da tempestade de segunda-feira tiveram de ser suspensas devido à violência dos ventos e às nuvens que estavam muito baixas. Mais de 30% dos aviões e helicópteros militares foram mobilizados para levar ajuda aos necessitados do tufão, informou ainda o porta-voz da força aérea, o tenente-coronel Restituto Padilla.
Na cidade do nordeste filipino de Luzon, uma pequena equipe de soldados distribuía auxílio alimentar e medicinal às vilas soterradas por lama e isoladas pelas enchentes. ''Eles estão levando macarrão, enlatados e outros tipo de alimentos. Se encontrarem sobreviventes pelo caminho entre Real e Infanta, eles distribuirão os farnéis '', explicou o diretor das operações, o coronel Jaime Buenaflor.


