Assessores do promotor especial Kenneth Starr, que preside a investigação sobre o escândalo sexual que envolve Bill Clinton, afirmaram ontem que a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky está disposta a confirmar em juízo que o presidente americano sugeriu a ela métodos ‘‘criativos’’ para esconder o fato de que os dois se relacionavam sexualmente. Tais métodos, segundo os assessores, evitariam que ela contasse ‘‘mentiras explícitas’’.
Por exemplo, quando alguém perguntasse por que uma colaboradora do último escalão da Casa Branca tinha acesso livre ao gabinete do presidente, ela deveria dizer que era muito amiga da secretária de Clinton, Betty Currie. Em outra ocasião, de acordo com The New York Times, o presidente disse a Monica que, se os dois negassem que tinham um romance, ninguém poderia desmenti-los.
Na terça-feira, Monica chegou a um acordo com Starr para prestar depoimento sobre a natureza de sua relação com o presidente americano em troca de imunidade judicial. Numa declaração anterior - no processo por assédio sexual que a ex-funcionária pública do Arkansas, Paula Jones, movia contra Clinton -, Monica negou sob juramento ter feito sexo com o presidente.
Caso fique constatado que Monica mentiu em juízo por pressão de Clinton ou dos advogados dele, o presidente pode ser submetido a um processo de impeachment por obstruir a Justiça.
Poucos dias antes da divulgação do acordo Starr-Monica, Clinton tinha anunciado sua disposição de prestar declarações ao Grande Júri e fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para resolver o caso.
Os advogados da Casa Branca, porém, querem evitar que o presidente sofra o constrangimento de ter de depor na sede do Grande Júri e pretendem que ele seja interrogado no gabinete dele, como ocorrera no processo Paula Jones. Starr intimou Clinton para que prestasse depoimento na terça-feira, mas a presença dele nos funerais de dois policiais mortos no tiroteio de sexta-feira no Capitólio justificou o descumprimento da ordem.
Ontem, um dos advogados do presidente informou que Bill Clinton vai falar no dia 17 de agosto sobre sua presumível relação com a ex-estagiária Monica Lewinsky, e seu depoimento será filmado em vídeo na Casa Branca. ‘‘Num esforço para solucionar este assunto, o presidente prestará dia 17 de agosto de 1998 um depoimento voluntário ao promotor independente Kenneth Starr’’, declarou o advogado, David Kendall.
O atual escândalo que pode custar o cargo a Bill Clinton veio à tona em janeiro, quando a funcionária federal Linda Tripp divulgou fitas nas quais gravou as conversas telefônicas que mantinha com Monica. Num desses telefonemas, a ex-estagiária disse a ela que mantinha um romance com Clinton desde 1995.
Vários presidentes norte-americanos tiveram que responder perguntas da Justiça, alguns durante seu mandato, entre eles o próprio herói da história americana, Thomas Jefferson.
No entanto, Bill Clinton é o primeiro presidente americano em exercício intimado a se apresentar ante uma Câmara de Acusações por suposto envolvimento em um crime.

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