Os problemas de saúde do general parecem ter se intensificado após o general da reserva Joaquín Lagos, entrevistado pela televisão estatal quinta-feira à noite, ter atribuído ao próprio Pinochet, chefe do governo militar a partir de 1973, a responsabilidade pelos assassinatos durante a chamada ‘‘Caravana da Morte’’.
A caravana foi formada por um grupo de militares que passou por várias cidades do sul e do norte do país logo após o golpe militar de 1973 retirando das celas 75 prisioneiros políticos, que foram sumariamente executados. Até agora não foram encontrados os restos de 18 destas vítimas.
O general Joaquín Lagos disse que o chefe da ‘‘Caravana da Morte’’, general Sergio Arellano, agiu como representante direto de Pinochet durante os episódios que culminaram com os assassinatos.
Lagos – que era comandante de uma região militar no norte do país onde ocorreu a maior parte dos assassinatos – disse que na época, ao receber Arellano, este lhe apresentou um documento ‘‘mostrando que Pinochet o havia nomeado como seu delegado pessoal’’. ‘‘Numa situação como esta, não havia nada que eu pudesse fazer’’, disse Lagos, de 80 anos.
‘‘Ter um delegado do comandante-chefe diante de você é a mesma coisa que ter o próprio comandante’’, disse Lagos na televisão. ‘‘Não há nada, nada mesmo, que qualquer um possa fazer. Ele dá as ordens que achar convenientes’’.
Lagos revelou ter falado pessoalmente com Pinochet sobre o caso, tendo advertido o então comandante-chefe de que ‘‘mais cedo ou mais tarde, nós todos seremos julgados por isto, especialmente o senhor, que é o comandante do das Forças Armadas’’.

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