Denúncia de fraudes marca eleição iugoslava
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de setembro de 2000
Associated Press De Belgrado 
Em meio a denúncias de fraude escandalosa, centenas de milhares de iugoslavos da Sérvia, Montenegro e Kosovo compareceram ontem às urnas para escolher seu novo presidente na prática, escolheriam entre dois candidatos: o atual presidente Slobodan Milosevic, do Partido Socialista Sérvio, e Vojislav Kostunica, da frente partidária Oposição Democrática Sérvia. Candidato à reeleição, o presidente levava vantagem em Kosovo (onde só a minoria sérvia votou), vencendo Kostunica na cidade de Mitrovica (norte da prov#ncia) um resultado esperado.
Pesquisas divulgadas antes da votação, davam entre 6 e 20 pontos percentuais de vantagem para Kostunica, transformando-o no primeiro oposicionista a ameaçar seriamente a hegemonia de 13 anos de poder de Milosevic.
Montenegrinos fiéis ao governo da pequena república que faz oposição a Milosevic e kosovares albaneses étnicos não compareceram às urnas. Estas eleições são as piores da história, disse Marcko Blagojevic, diretor do Centro de Eleições Livres e Democráticas. A denúncia foi confirmada por inspetores independentes que vieram de 52 países incluindo Rússia e Bielo-Rússia. Segundo eles, fiscais oposicionistas foram expulsos de dezenas de postos eleitorais da capital e do sul da Sérvia, impedidos de acompanhar a votação e até mesmo de examinar as cédulas. Houve vários casos de detenção de jornalistas e cinegrafistas.
Não creio que tenham ocorrido eleições assim em qualquer outra parte desde a Idade da Pedra, insistiu Blagojevic. Segundo ele, a maioria dos 7,4 milhões de eleitores inscritos na Sérvia compareceu às urnas cerca de 64%.
Enquanto esperava a vez de votar, Milosevic dirigiu-se aos repórteres da TV estatal iugoslava (controlada por ele): Espero que o cenário político na Sérvia fique bem claro agora, criando condições permanentes de estabilidade e acelerando o desenvolvimento econômico.
Kostunica, que conta com o apoio de 18 partidos oposicionistas, manifestou confiança em seu desempenho eleitoral. O regime está consciente de que perderá as eleições e de que o povo não tem mais medo de dizer o que pensa sobre a autoridade. Outros três candidatos concorreram, mas sem nenhuma chance de vitória.
Em Montenegro (pequena república iugoslava com 440 mil eleitores inscritos), votaram apenas os adeptos de Milosevic, entre os quais o primeiro-ministro iugoslavo, o montenegrino Monir Bulatovic. Apadrinhado do presidente iugoslavo, ele votou em Podgorica (capital de Montengro) e previu a vitória do padrinho no primeiro-turno, mas fez uma ressalva: Creiam ou não, Milosevic é um democrata e entregará o poder a Kostunica se ele sair vencedor.
Em Kosovo, acorreram aos postos de votação apenas 50% dos 60 mil sérvios que ainda vivem em seis cidades da província. Em Mitrovica, (nordeste do território) votaram 4.830 sérvios. Milosevic venceu Kostunica, obtendo 3.100 votos, disse Dragisan Djokovic, líder socialista sérvio local. A maioria votou em Milosevic, concordou um funcionário categorizado das forças de paz que pediu anonimato. Kosovo tem cerca de 1,8 milhão de habitantes mais de 95% dos quais são albaneses étnicos.
Na Sérvia e em Montenegro, os postos abriram às 8 horas e fecharam às 20 horas. Em Kosovo, onde as forças de paz realizam manobras militares e estão em estado de alerta vermelho, a votação começou às 8 e terminou mais cedo, às 16 horas, por medida de precaução.
Com o fechamento das urnas, havia expectativa de conflitos entre facções rivais que planejam comemorações antecipadas de vitória. Tanto os eleitores de Milosevic, quanto os do candidato da oposição à presidência, Vojislav Kostunica, estão planejando festas de comemoração em Belgrado.


