São Paulo - Representantes da Arquidiocese de Portland, no Oregon (EUA), disseram ontem que vão decretar falência, tornando-se a primeira a quebrar por causa das acusações de abuso sexual. O pedido de falência paralisa uma ação de abuso supostamente cometido por um padre que deveria começar a ser julgada em Portland ontem. Ela envolve Maurice Grammond, acusado de molestar mais de 50 garotos na década de 1980.
Autores de duas ações envolvendo Grammond pedem uma indenização de mais de US$ 160 milhões. A arquidiocese e sua companhia de seguros já pagaram mais de US$ 53 milhões para resolver mais de 130 reclamações de pessoas que dizem ter sofrido abusos de padres.
Dezenas de outras reclamações estão pendentes. Autoridades da igreja afirmaram que ''não podem bancar o que os autores das ações estão pedindo''. ''O pote de ouro está quase vazio agora'', afirmou o arcebispo John Vlazny.
James Devereaux, um dos autores da ação que estava programada para ir a julgamento ontem, disse que, apesar do anúncio, continua sua luta para que ''a arquidiocese finalmente aceite o pecado de seus crimes''.
Nenhuma outra diocese dos EUA decretou falência, segundo Fred J. Naffziger, professor de direito da Universidade de Indiana. Ao decretar o processo, organizações americanas se livram da ameaça de ações dos credores enquanto se reorganiza. A Arquidiocese de Boston, que foi alvo de diversas ações depois de um escândalo de abuso sexual, considerou abrir o processo de falência, mas optou pela venda de imóveis da igreja que valiam milhões de dólares para revolver as reclamações.

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