São Paulo- A ajuda humanitária enviada ao Haiti por meio de aviões e embarcações não chega às vítimas do tremor do último dia 12 com a velocidade necessária, devido a restrições nos transportes e outras dificuldades. A lentidão causa tensão e desencadeia violência.
Anteontem, o premiê do Haiti, Jean Max Bellerive, afirmou que o governo já contabilizou mais de 200 mil mortos. O número não inclui corpos que ficaram sob escombros nem as vítimas enterradas por suas próprias famílias. Cerca de 1 milhão de pessoas estão desabrigadas.
Haitianos e funcionários de organizações estrangeiras dizem que a ajuda está sendo enviada, mas expressam frustração com a lentidão na distribuição de alimentos a partir do porto e do aeroporto de Porto Príncipe, onde os mantimentos estão chegando.
''Não há uma liderança centralizada (...) e desde que o governo haitiano passou a controlar os mantimentos, temos que esperar para receber itens, mesmo que eles estejam estocados'', disse o médico americano Rob Maddox de Start (Louisiana), que atende dezenas de pacientes no hospital da capital haitiana.
As falhas de comunicação entre haitianos e equipes estrangeiras são frequentes.
Caixas de medicamentos e curativos se acumulam em depósitos no hospital da capital. Segundo médicos, desde que haitianos passaram a controlar o armazenamento, a burocracia atrasa a ajuda às vítimas, fazendo com que se perca tempo crucial para salvar vidas.
Doadores também apontam problemas graves de logística: lidar com um governo que quase não existe, danos extensos no porto local, excesso de tráfego aéreo e falta de segurança.
Agências humanitárias dizem que o envio de alimentos e água dobrou nos últimos dez dias, mas que funcionários estão frustrados com o tempo que os itens ficam em depósitos da ONU.
Os dez americanos presos no Haiti por tentar sequestrar crianças disseram ter se encontrado com autoridades haitianas e dominicanas na semana anterior à detenção. O grupo de americanos batistas tentava atravessar a fronteira entre Haiti e República Dominicana com 33 crianças quando foram detidos por falta de documentos. Mais tarde, descobriu-se que algumas das crianças ainda tinham parentes vivos após o terremoto de magnitude 7 -que devastou parte do país no último dia 12.

mockup