Demora na contagem dos votos preocupa oposição indonésia
Associated Press
O entusiasmo com que foi recebida a pacífica e organizada realização de eleições democráticas na Indonésia na segunda-feira transformou-se ontem em preocupação pela lentidão com que está sendo feita a apuração dos votos. A oposição teme que os resultados sejam fraudados. Dois dias após o fechamento das urnas, foram apurados apenas 4 milhões de cédulas das cerca de 116 milhões depositadas. Cerca de 90% dos 130 milhões de eleitores, de uma população de 210 milhões, participaram das primeiras eleições realmente democráticas na Indonésia.
Apesar do lento escrutínio, o Partido Democrático da Indonésia - da Luta (PDI-P) de Megawati, filha do ex-presidente Sukarno, seguia mantendo-se em primeiro lugar, com ampla vantagem - 38,8%, segundo dados da Comissão da Eleições Gerais. Ainda de acordo com a comissão, o Partido Despertar da Nação (PKB) tinha 21,1% dos votos e o Golkar, do regime Suharto, 15 8%.
No entanto, segundo resultados não-oficiais divulgados pelo Centro de Mídia e Operações Conjuntas, com base no Hotel Aryaduta, o PDI-P tinha 32,5%, o Golkar estava em segundo lugar, com 20,4%, e o PKB, 11,1%.
Os 135 observadores enviados pela União Européia (UE) manifestaram ontem sua profunda preocupação pelo atraso. Segundo os observadores, a realização das eleições na Indonésia foi suficientemente livre e transparente para garantir um resultado eleitoral que reflita a verdadeira vontade política do povo indonésio. No entanto, o embaixador britânico John Gwyn Morgan, coordenador-chefe da equipe de observadores da UE, advertiu que a lentidão inclui o risco de que os resultados sejam alterados durante sua transmissão à Comissão Eleitoral Central em Jacarta.





