Democratas recuperam Câmara e republicanos se consolidam no Senado
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quarta-feira, 07 de novembro de 2018
France Presse 

Washington - O controle do Congresso dos Estados Unidos estará dividido no próximo ano, após as eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (6), nas quais a oposição democrata conquistou a Câmara de Representantes, e o partido Republicano, do presidente Donald Trump, manteve o Senado.
Trump, que acompanhou os resultados da Casa Branca, onde passou o dia recluso com amigos e familiares, destacou no Twitter o "tremendo sucesso" das eleições, consideradas um referendo sobre sua gestão.
Embora a "onda azul" anti-Trump não tenha-se concretizado, a perda de domínio na Câmara complica suas perspectivas. Com esta vitória, os democratas poderão não apenas bloquear iniciativas do presidente, como investigar suas finanças e aprofundar na investigação sobre a suspeita de conluio entre sua equipe de campanha e a Rússia em 2016, aumentando a possibilidade de que se inicie um processo de impeachment contra ele.
Nancy Pelosi, a atual líder da minoria democrata na Câmara de Representantes, que deve voltar a presidi-la, anunciou a "restauração dos poderes e contrapoderes constitucionais", mas prometeu trabalhar com os republicanos. "Um Congresso democrata vai trabalhar em soluções que nos unam, porque todos tivemos divisões", afirmou.
Os democratas tomaram dos republicanos as 23 cadeiras necessárias para ter a maioria na Câmara de Representantes, ao vencer em estados-chave como Virgínia, Flórida, Pensilvânia e Colorado, de acordo com projeções das redes de televisão Fox e NBC.
Já os republicanos consolidaram sua posição no Senado, arrebatando cadeiras em ao menos dois estados - Indiana e Dakota do Norte - e mantendo as atuais no Tennessee e no Texas, que estavam sob ameaça.
FAZENDO HISTÓRIA
O democrata Jared Polis se tornou o primeiro homem abertamente homossexual a governar um estado dos EUA - o Colorado - ao derrotar o republicano Walker Stapleton.
Polis, 43 anos, que não escondeu sua orientação sexual durante a campanha, substituirá o governador democrata John Hickenlooper, que dirige o estado desde 2011.
A jovem estrela dos democratas Alexandria Ocasio-Cortez, de origem porto-riquenha e nascida no Bronx, em Nova York, se tornou a mulher mais jovem eleita para o Congresso, aos 29 anos.
Ocasio-Cortez, que defende com orgulho suas raízes e sua latinidade, e promete ser uma campeã da classe trabalhadora na qual tem origem, manteve a cadeira em uma circunscrição claramente democrata, após derrotar nas primárias o veterano Joe Crowley.
Agora esta latina, que se define como socialista, transforma-se em um símbolo de uma onda de mulheres democratas pertencentes a minorias que estão revolucionando a elite do partido.
Sharice Davids e Deb Haaland também se destacaram como as primeiras mulheres indígenas americanas na Câmara baixa.
As democratas Ilhan Omar e Rashida Tlaib se tornaram as duas primeiras muçulmanas eleitas para o Congresso de Estados Unidos, pelos Estados de Minnesota e Michigan, respectivamente.
Ilhan Omar, uma refugiada somali, escreveu no Twitter para Rashida Tlaib, nascida em Detroit de pais palestinos: "Mal posso esperar para compartilhar uma bancada com você".


