Democratas dominam Congresso americano
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de janeiro de 2007
Folhapress 
São Paulo - O Partido Democrata inaugurou ontem o 110º Congresso americano na liderança do Senado (51 democratas e 49 republicanos) e da Câmara dos Representantes (233 contra 202) pela primeira vez em 12 anos, em meio a promessas de aprovar seis novas leis já nas primeiras 100 horas de trabalho. Na Câmara, a abertura marca também um dia histórico para os Estados Unidos, no qual a deputada Nancy Pelosi se tornou a primeira mulher a liderar a Casa.
Nancy deixou claro já em seu primeiro dia de liderança que pretende usar o novo posto para mudar a direção da política americana. ''Os democratas estão de volta'', comemorou, afirmando que vê ''uma nova direção, para todas as pessoas, não apenas uns poucos privilegiados'' nos EUA, de forma a ''fortalecer a classe média''.
Quarta-feira, outro democrata, Steny Hoyer, novo líder da maioria na Câmara, já havia anunciado que as primeiras 100 horas de trabalho do Congresso serão usadas para aprovar seis leis preparadas e uma série de regras para endurecer a ética no Congresso. O primeiro passo a ser tomado, segundo Hoyer, consiste em uma série de medidas elaboradas como resposta aos escândalos que enfraqueceram os republicanos frente à opinião pública nas últimas eleições.
Além de expandir restrições para viagens financiadas por empresas privadas para legisladores, os democratas da Câmara pretendem proibir viagens em aviões corporativos.
As seis primeiras leis a serem votadas estão relacionadas com o salário mínimo, pesquisas com células-tronco, energia, empréstimos estudantis e recomendações à comissão que investiga os ataques terroristas aos EUA em 2001.
Resposta - George W. Bush reagiu contra a pressão política. Para equilibrar a atenção aos democratas, o presidente anunciou que apresentará uma proposta de orçamento para os próximos cinco anos que pretende equilibrar as contas do país. Bush pediu ainda ao novo Congresso que não aprove leis que sejam ''simples declarações políticas''.
''Não há nada 'político' em encontrar uma forma de acabar com a Guerra do Iraque, aumentar o salário mínimo, alcançar a independência energética ou ajudar jovens a pagar pela universidade'', respondeu a Bush o senador democrata Harry Reid, o líder da maioria no Senado. ''Na verdade'', acrescentou, ''foi a política que impediu por muitos anos o progresso nestas áreas''.
Espera-se também que os democratas pressionem o governo americano para trazer de volta o contingente de soldados dos EUA atualmente lutando na Guerra do Iraque. Nos últimos dias, o número de americanos mortos na guerra chegou a 3 mil, despertando protestos em todo o país.
Os democratas conquistaram por uma pequena maioria o controle do Senado e da Câmara dos Representantes dos EUA nas últimas eleições legislativas em 7 de novembro de 2006. A situação na Guerra do Iraque foi apontada como uma das principais razões para a perda de apoio dos republicanos junto à opinião pública.


