Delegação espanhola visita hospitais
France PresseDe Bagdá
Uma delegação espanhola visitou hospitais de Bagdá para se informar sobre o estado de saúde da população iraquiana nove anos depois da guerra do Golfo, informaram ontem membros da delegação.
Cento e vinte pessoas, entre elas parlamentares, juristas, universitários, sindicalistas e membros de Organizações Não-Governamentais (ONGs) visitaram no sábado os hospitais pediátricos Saddam Hussein e Ibn al-Baladi.
Os médicos entrevistados pela delegação atribuíram à guerra do Golfo (janeiro-fevereiro de 1991) a forte progressão de casos de leucemia entre crianças. Eles disseram que o aumento de casos desta doença deve-se à poluição das águas por causa dos combates e à desnutrição provocada pelas sanções da Onu ao Iraque depois da invasão do Kuwait (agosto de 1990).
A delegação espanhola chegou ao Iraque quinta-feira passada para uma visita de dez dias durante a qual se reunirá com representantes iraquianos.
Ontem, o ministro do Comércio, Mohamed Mehdi Saleh, fez um apelo ao receber a delegação, para reforçar a cooperação econômica entre os dois países. Ele também apresentou dados econômicos sobre o acordo petróleo por alimentos. Segundo Saleh, o Iraque exportou petróleo no valor de 18 bilhões de dólares desde o final de 1996, mas os produtos que recebeu não chegam aos 6 bilhões de dólares.
O ministro afirmou que a quantidade de produtos entregues ao Iraque desde a entrada em vigor do acordo petróleo por alimentos, em dezembro de 1996, chega a 5,95 bilhões de dólares.
Pedidos de produtos no valor de seis bilhões de dólares foram bloqueados pelos representantes americanos e britânicos do comitê de sanções da Onu, informou o ministro, citado pela agência oficial INA.
Do total de vendas iraquianas de óleo bruto realizadas desde dezembro de 1996, a Onu descontou seis bilhões de dólares, como indenizações pela ocupação do Kuwait, entre agosto de 1990 e fevereiro de 1991.
A fórmula petróleo por alimentos autoriza ao Iraque vender petróleo para comprar produtos de primeira necessidade, sob a supervisão da Onu, desde o embargo imposto a este país em 1990.
A população que vive sob o controle do regime de Bagdá, no sul e no centro do Iraque, recebe o equivalente a 53% da quantia recolhida com a venda do petróleo. O restante vai para os curdos, no norte do país (13%), para um fundo de compensação do Kuwait (30%) e para o financiamento das agênias da Onu que trabalham no Iraque (4%).





