Delcy Rodríguez presta juramento como presidente interina
Em sua primeira aparição em um tribunal de Nova York, Maduro declarou-se inocente
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segunda-feira, 05 de janeiro de 2026
Em sua primeira aparição em um tribunal de Nova York, Maduro declarou-se inocente
France Presse 

Caracas - Delcy Rodríguez foi empossada nesta segunda-feira (5) como presidente interina da Venezuela, diante da ausência de Nicolás Maduro, que foi capturado junto com a esposa pelos Estados Unidos em uma operação militar.
"Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos", disse Rodríguez em seu juramento. "Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos."
Rodríguez era a vice-presidente de Maduro e a primeira na linha de sucessão. A Suprema Corte lhe ordenou assumir o cargo por 90 dias, prorrogáveis.
O presidente deposto declarou-se inocente em sua primeira aparição em um tribunal de Nova York, dois dias após sua captura em Caracas em uma grande operação militar dos Estados Unidos.
Perante o juiz, Maduro, de 63 anos, afirmou que continua sendo o "presidente" da Venezuela. Ele é acusado de tráfico de cocaína para os Estados Unidos, assim como sua esposa, Cilia Flores, de 69 anos, que também se declarou inocente.
"Não sou culpado, sou um homem decente, continuo sendo o presidente do meu país", disse Maduro em espanhol, segundo a imprensa. Ele assegurou ter sido "sequestrado" em sua casa em Caracas. Flores, por sua vez, declarou: "Sou inocente, completamente inocente".
O juiz Alvin Hellerstein marcou a próxima audiência para 17 de março. Enquanto isso, ambos permanecerão presos em Nova York.
Maduro e sua esposa foram retirados à força de Caracas no sábado durante intensos ataques dos EUA que incluíram comandos terrestres, bombardeios de caças e uma imponente força naval.
A nova acusação também inclui o filho do presidente deposto, Nicolás Maduro Guerra ("Nicolasito"); o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello; e um traficante de drogas foragido.
A audiência judicial coincidiu, nesta segunda-feira, com a posse do novo Parlamento em Caracas, que manifestou apoio a Maduro, e com uma reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York sobre a Venezuela.
"Vamos, Nico!", gritaram os deputados da maioria chavista ao entrarem no Parlamento, aplaudindo o filho de Maduro, também parlamentar.
"Eles voltarão. Nossos olhos verão. Seremos testemunhas desse momento histórico. Não tenham dúvidas de que isso vai acontecer em nome de Deus, todo-poderoso", disse Maduro Guerra, que ofereceu seu "apoio incondicional" à presidente interina, Delcy Rodríguez.
Durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York, o secretário-geral da entidade, António Guterres, apelou por "respeito pelos princípios da soberania, da independência política e da integridade territorial dos Estados", em um discurso lido em seu nome pela subsecretária-geral Rosemary DiCarlo.
O presidente americano, Donald Trump, insistiu no domingo que os Estados Unidos estão "no comando" da Venezuela e que está discutindo os próximos passos com as novas autoridades venezuelanas, lideradas por Delcy Rodríguez.
A nova líder, ex-vice-presidente de Maduro, afirmou que estava pronta para cooperar com o governo de Trump e defendeu uma relação equilibrada e respeitosa com os Estados Unidos. As Forças Armadas reconheceram Rodríguez como presidente interina.


