Defesa de Pinochet pede a saída do juiz Guzmán do caso
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terça-feira, 05 de dezembro de 2000
Ansa De Santiago 
Depois de um fim de semana tenso, no qual não faltaram sombrias advertências de alguns comandantes militares, os chilenos ainda não sabiam ontem se o ex-ditador Augusto Pinochet seria preso, conforme determinação anunciada na sexta-feira pelo juiz da Corte de Apelações Juan Guzmán.
Pinochet foi indiciado pelo juiz como autor intelectual e co-autor material de mais de 70 assassinatos relacionados à caravana da morte, um grupo paramilitar de extermínio de oposicionistas que percorreu o Chile em 1973. A defesa do ex-ditador, porém, recorreu da decisão e pediu a saída do juiz do caso.
Como consequência da controvérsia, a notificação da prisão de Pinochet, que deveria ocorrer nas próximas horas, deve ficar suspensa por pelo menos uma semana e a Corte Suprema do Chile deu ontem 24 horas a Guzmán para que esclareça as razões pelas quais decidiu-se pelo indiciamento do general da reserva, de 85 anos.
Acionada pela defesa de Pinochet, a Corte Suprema, máxima instância judicial do país, pode anular o indiciamento do ex-ditador.
O presidente chileno, Ricardo Lagos, retorna ao Chile hoje depois de ter assistido, no México, à posse do presidente mexicano, Vicente Fox e deve reunir-se com os comandantes militares para discutir o caso Pinochet. No domingo, o comandante da Marinha chilena, almirante Jorge Arancibia, havia advertido que a eventual prisão do ex-ditador poderia causar reações inconvenientes por parte das Forças Armadas.
Ao mesmo tempo, o sucessor de Pinochet no comando do Exército, general Ricardo Izurieta, insistia na convocação do Conselho de Segurança Nacional para debater o caso.


