Associated Press
De Londres
Surpreendendo a promotoria no segundo dia de audiência da fase final do processo de extradição do general Augusto Pinochet para a Espanha, os advogados de defesa do general Pinochet acusaram o juiz espanhol Baltasar Garzón, responsável pelo pedido, de fazer um ‘‘prejulgamento político’’ do ex-ditador chileno. Esse argumento, desde que acatado pelo tribunal, invalidaria o processo de extradição.
‘‘A promotoria não apresentou nenhuma prova contra Pinochet, apenas prejulgamentos políticos’’, insistiu um dos advogados da equipe de defesa, Julian Knowles, refutando todas as denúncias de tortura apresentadas pela Justiça espanhola. ‘‘Todos os crimes arrolados foram cometidos por outras pessoas.’’
Segundo Knowles, o juiz Baltasar Garzón não pode provar que Pinochet ‘‘participou, acobertou ou mandou cometer um só dos atos de tortura citados na ata da acusação’’. A equipe entregou declaração por escrito ao presidente do tribunal, o juiz Ronald Bartle, considerando prejulgamento político o fato de que ‘‘a Espanha não aceitava o regime do general Pinochet nem a derrubada do anterior, de Salvador Allende’’.
As audiências deverão terminar ainda esta semana. O pronunciamento da sentença está previsto para meados de outubro. Caberá ao juiz Bartle, presidente do Tribunal de Magistrados de Bow Street, decidir apenas se os crimes arrolados na ata da Justiça espanhola são passíveis de extradição.

mockup