Berlim Os partidários da proteção das baleias ganharam uma primeira vantagem em relação aos países que defendem a caça aos cetáceos, na conferência anual da Comissão Baleeira Internacional (CBI) que começou ontem, em Berlim, com um pedido do país anfitrião em favor da proteção da espécie.
A conferência rejeitou uma moção do Japão que propunha a retirada da ordem do dia da votação da ''Iniciativa de Berlim'', um projeto de resolução que determina a conservação dos mamíferos marinhos e não apenas a proibição da caça. Dezenove delegados votaram a favor da moção, 26 contra e um se absteve. No total, 49 países integram a CBI.
Como acontece todo ano, a reunião da CBI é uma ocasião para disputa entre os países partidários de medidas de proteção às baleias e os que, como Noruega, Japão e Islândia, desejam a suspensão da proibição de caça, em vigência desde 1986. ''Nós nos sentimos comprometidos com a proteção das baleias'', declarou pouco antes a ministra alemã da Agricultura e do Consumo, Renate Kuenast, ao inaugurar a conferência.
A Alemanha, país anfitrião desta conferência de quatro dias, é um dos 19 assinantes da ''iniciativa e Berlim'', que precisa ser aprovada por maioria simples pra ser adotada. Ela prevê a criação de um comitê interno encarregado, entre outras coisas, de avaliar as ameaças sobre os mamíferos marinhos, como a pesca intensiva, a contaminação e as mudanças climáticas. ''Gostaria que a CBI fosse responsável pela proteção de todas as baleias'', declarou Kuenast.
A CBI abordará a criação de santuários para as baleias no sul do Pacífico, uma proposta da Nova Zelândia e da Austrália, e no sul do Atlântico, proposto pela Argentina e pelo Brasil. Estes projetos precisam do respaldo de três quartos dos países membros e provocam grande oposição do Japão.
As associações ecológicas Greenpeace e Fundo Mundial pela Natureza (WWF) querem sensibilizar os participantes da conferência para o fato de que, a cada ano, 300 mil mamíferos marinhos (baleias, golfinhos, etc.) morrem acidentalmente ao serem apanhados pelas redes de pesca destinadas a outras espécies.

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