O governo peruano aceitou a exigência da oposição e se comprometeu ontem a modificar o decreto sobre a renúncia do ex-assessor da presidência, Vladimiro Montesinos.
O ministro da Justiça Alberto Bustamante disse, na saída da mesa de negociação, promovida pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para democratizar o país, que os pedidos da oposição e da sociedade civil foram acolhidos. ‘‘Nesta tarde, modificaremos o decreto supremo’’, afirmou o ministro.
Segundo o documento, divulgado ontem à tarde, o governo ‘‘decidiu aceitar a renúncia que apresenta o doutor Vladimiro Montesinos Torres ao cargo de assessor do Serviço de Inteligência Nacional (SIN), a partir de 14 de setembro, com reconhecimento aos importantes serviços prestados à Nação’’.
O documento acrescenta ainda que, ‘‘durante o exercício de suas funções, o ex-assessor participou de maneira significativa do êxito da luta contra o terrorismo e narcotráfico’’.
Também ressalta que ‘‘Montesinos interveio no acordo de paz, firmado entre o Equador e o Peru, assim como nas medidas de prevenção adotadas em matéria de segurança regional e no âmbito da segurança dos cidadãos’’.
A oposição, entretanto, recusou e expressou sua mais profunda indignação com a resolução. O deputado da oposição Jorge del Castillo assinalou que o decreto ‘‘ressalta, de uma forma insólita, os supostos êxitos de seu trabalho, mas não menciona as razões gravíssimas que obrigaram o presidente Alberto Fujimori a convocar novas eleições’’.
Castillo lembrou que a atual crise política que sacode o país começou quando a oposição mostrou um vídeo onde Montesinos entrega dinheiro de um suposto suborno a um deputado da oposição, que depois se bandeou para o governo.
‘‘Vemos com assombro como o governo facilitou as condições para dar a Montesinos um asilo que não correspondia a seu caso, porque ele não é um perseguido político. Também não se pode alegar que o Poder Judiciário o persiga, já que ele manipulou esse poder’’, afirmou o deputado.

mockup