Declarações de general caem como uma bomba em Assunção
Ansa
De Assunção
As declarações do general da reserva Lino César Oviedo, 55 anos, ao jornal argentino La Nación, causaram inquietação ontem nos círculos políticos de Assunção, no Paraguai. O Ministério das Relações Exteriores declarou que a opinião de Oviedo, de que o atual governo paraguaio é ilegítimo, é muito séria. O chanceler José Fernández disse em Nova York, à rádio paraguaia Cardinal, que poderia discutir a questão ontem com os chanceleres do Mercosul.
Para Fernández, o governo argentino embarcou na onda de um senhor que não respeita regras. O presidente interino do país e titular do Congresso, Juan Carlos Galaverna, que substitui Luis González Macchi, também em Nova York para a assembléia-geral da ONU, lembrou que Oviedo continua atuando na política e viola as normas de asilo político.
Para o senador Luis Alberto Mauro, presidente da Comissão Bicameral de Investigação de Crimes, as declarações do ex-general golpista violam claramente as leis a que um exilado deve submeter-se. O deputado Angel Barchini, do Partido Colorado, foi mais longe: Se Menem não fosse presidente da Argentina, Oviedo já teria sido expulso. Para Barchini, Oviedo quer desprestigiar o Paraguai, o governo, a Justiça e, desta forma, livrar-se da pena que tem de cumprir. Oviedo é acusado de ser um dos autores intelectuais do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña. Sobre ele pesa ainda uma condenação de dez anos de cadeia pela tentativa de golpe militar em 1996.
No último dia 4 de setembro, o governo da Argentina negou o pedido de extradição do general da reserva, apresentado por Assunção. A negativa estremeceu a relação diplomática entre os dois países. Ontem, o ministro do Interior da Argentina, Carlos Corach, não quis comentar as declarações de Oviedo ao La Nación. Disse ainda que pedirá a íntegra da entrevista à redação do jornal argentino para análise.





