Angela Merkel considera que decisão de autorizar comícios não era de competência do Estado, mas dos municípios
Angela Merkel considera que decisão de autorizar comícios não era de competência do Estado, mas dos municípios | Foto: Fethi Belaid/AFP



São Paulo - A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta segunda-feira (6) que "não há absolutamente nenhuma justificativa" para os comentários do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, comparando as proibições alemãs a certos comícios políticos com "práticas nazistas". "Acreditava que a Alemanha havia renunciado há tempos (a essas práticas). Nós nos enganamos", afirmou o turco no domingo. "Os alemães nos dão lição de democracia e depois impedem os ministros desse país (Turquia) de expressá-la."

Para Merkel, os comentários de Erdogan só serviram para banalizar o sofrimento daqueles afetados por crimes nazistas contra a humanidade, e foram particularmente infelizes em razão dos muitos fatores em comum que ligam os dois aliados. A líder alemã reconheceu profundas diferenças com Ancara em questões como a liberdade de imprensa e a prisão do jornalista alemão-turco Deniz Yücel.

Ela afirmou, no entanto, que a Alemanha se mantém comprometida com as liberdades básicas e continuará a permitir que políticos turcos façam campanha no país para um referendo constitucional, desde que as visitas sejam anunciadas de forma transparente e oportuna e respeitem as leis alemãs.

As relações entre os governos alemão e turco têm piorado, principalmente desde que a Alemanha cancelou três comícios organizados em seu território e que pretendiam apoiar o referendo por meio do qual o governo turco quer aumentar os poderes do presidente Erdogan.

A chanceler alemã Angela Merkel explicou que a decisão de autorizar ou não os comícios não era de competência do Estado federal e sim dos municípios. Merkel ligou no sábado para o primeiro-ministro turco Binali Yildirim para tentar abaixar a tensão, e os chanceleres dos dois países devem se reunir na quarta-feira.

COMUNIDADE TURCA
A Alemanha conta com uma grande comunidade turca de três milhões de pessoas que começou a ser construída nos anos 1960, quando o país precisava de mão de obra para a indústria. O embate entre os governos alemão e turco são constantes desde o malfadado golpe de Estado ocorrido em julho na Turquia, e alcançaram seu ápice após o encarceramento na segunda-feira (27) do correspondente turco-germânico Deniz Yücel, do jornal Die Welt na Turquia, sob alegação de "propaganda terrorista".

Em seu discurso, Ergodan apresentou Yücel como um "agente alemão" e "representante do PKK", o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, organização considerada "terrorista" por Ancara, assim como a União Europeia (UE) e Estados Unidos. Essa acusação foi classificada de "aberrante" por Berlim.

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