Quito - Os presidentes dos países da União de Nações Sul-americanas (Unasul) assinaram ontem a Declaração de Quito, documento no qual foi condenado o golpe de Estado em Honduras. Os líderes se abstiveram de incluir menção ao uso eventual de bases militares colombianas pelos EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu reunião entre líderes da Unasul e o presidente norte-americano, Barack Obama, para discutir o aumento da presença militar dos EUA na Colômbia. Lula sugeriu que o tema seja discutido ''profundamente''.
A declaração foi assinada pelos presidentes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Guiana, Paraguai e Venezuela, além do representante do Uruguai, do chanceler do Peru, da vice-chanceler da Colômbia e do representante do Suriname, países que integram a Unasul.
A chancelaria colombiana, em Bogotá, considerou positivo o fato do acordo militar com os EUA não ter sido mencionado na declaração. A vice-chanceler da Colômbia, Clemência Forero, disse que ''nunca existiram e nem existirão bases estrangeiras na Colômbia. A Colômbia não pediu essas bases e nem os EUA pensam na instalação delas''. Ela afirmou que os militares norte-americanos terão ''acesso limitado'' às bases colombianas, para auxiliar em operações ''contra o narcotráfico e o terrorismo, sem afetar a terceiros''.
O tema controverso motivou expressões de preocupação de alguns presidentes e inclusive uma advertência de ''ventos de guerra'' do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
À margem da declaração final, os mandatários concordaram em convocar uma reunião presidencial urgente em Buenos Aires, em data ainda a definir, para tratar do tema do acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos. Ainda não está claro se a reunião ocorrerá antes do encontro dos chanceleres e ministros da defesa dos países da Unasul, marcada para 24 de agosto em Quito.
Honduras
A Unasul também declarou que ''não haverá reconhecimento, de nenhuma maneira, à ruptura da ordem institucional e democrática'' e condenou o ''o golpe de Estado em Honduras''.
Ressaltou ainda a ''importância dos meios de comunicação'' no fortalecimento da democracia e da participação cidadã, em um momento no qual governos como o da Venezuela e do Equador mantém tensas relações com a imprensa nos respectivos países.

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