Decisões israelenses aumentam tensão
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quarta-feira, 02 de dezembro de 1998
Jean-Luc Renaudie France Presse 
O governo israelense provocou o aumento das tensões com as autoridades palestinas, ontem, ao anunciar a construção de 480 novas casas na Cisjordânia, aumentar as exigências para abrir um porto em Gaza e se mostrar intransigente na questão dos presos palestinos.
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, que patrocinou o acordo israelense-palestino de Wye Plantation em outubro passado, chegará a Israel no dia 12. Nos dias 14 e 15, ele será o primeiro chefe de Estado norte-americano a visitar os territórios palestinos, para reativar o processo de paz no Oriente Médio.
O ministério da Habitação israelense aprovou segunda-feira a construção de 480 casas na colônia judaica de Kohav Yaakov, nos arredores de Ramalá (Cisjordânia). O anúncio foi feito pelo porta-voz do ministério, Moshe Friedman, que acrescentou que as obras das primeiras 230 moradias já começaram.
Por outro lado, o Conselho Legislativo Palestino conclamou os palestinos a se opor, por todos os meios, à ampliação da colonização israelense.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Ariel Sharon, voltou atrás na regulamentação das leis sobre segurança portuária. Inicialmente, as autoridades israelenses aceitaram o controle portuário palestino, mas agora Sharon exige que a segurança seja centralizada na colônia de Netzarim, ao sul da cidade de Gaza.
Israel quer se assegurar de que os palestinos não consigam traficar armas através deste porto, declarou à AFP uma fonte israelense que pediu anonimato.
Sharon exigiu a abertura de um posto de controle israelense, a ser instalado em uma das rotas que devem unir a Cisjordânia à Faixa de Gaza, num trajeto o mais próximo possível dos territórios autônomos palestinos.
O acordo de Wye Plantation, firmado em 23 de outubro, prevê que as duas partes devem fazer tudo o que for necessário para permitir a abertura de uma das passagens protegidas, uma semana depois da assinatura do documento. O porto também deveria ser objeto de negociações facilitadas.
No que diz respeito aos presos palestinos, Netanyahu também se mostrou duro: Os palestinos promovem uma campanha de mentiras, ao divulgar que eu havia aceitado liberar terroristas, que tenham sangue nas mãos, ou a membros do Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), falou a uma rádio o primeiro-ministro. Eu não prometi nada parecido, durante minhas conversações em Wye Plantation, com o presidente Clinton e (o presidente da Autoridade Palestina) Yasser Arafat, garantiu.
O acordo de Wye Plantation prevê que Israel libertará 750 palestinos, em três etapas. Mas há 12 dias, Israel limitou a 100, o número de presos políticos libertados. Antes, eram previstos 250. Os outros 150 libertados eram presos comuns, o que revoltou as autoridades palestinas.


