A Câmara dos Lordes britânica anunciará na próxima quarta-feira seu veredicto sobre o recurso apresentado contra a ‘‘imunidade soberana’’ concedida ao ex-ditador chileno Augusto Pinochet, detido há um mês em Londres. O Home Office, o ministério do Interior britânico, informou que o comitê jurídico adiou a decisão para o dia 25 de novembro, data em que Pinochet completa 83 anos.
Houve reações divergentes diante da data escolhida pela Câmara dos Lordes. Há quem diga que isto significa que a Justiça pretende dar de presente ao ex-ditador chileno a liberdade, no dia em que faz aniversário. Outros, porém, acreditam que se trata apenas de coincidência e que a decisão dos Lordes não terá nada a ver com a data. Entretanto, poucos são os que se aventuram a antecipar qual será o veredito final da última instância da Justiça britânica.
O ministério do Interior britânico já tem em seu poder um pedido de extradição da Espanha, sobre o qual deve se manifestar antes do dia 2 de dezembro. A justiça espanhola quer julgar o ex-ditador pelas acusações de terrorismo, torturas e genocídio cometidos durante o governo Pinochet.
Pinochet foi detido em 16 de setembro em Londres e está sob custódia das autoridades, à espera da decisão dos lordes. Ontem, o ex-ditador enviou uma mensagem de unidade ao Chile, que se dividiu diante da detenção do militar. A mensagem foi enviada por meio do direitista Francisco Pratt.
Pinochet ‘‘quer que isto que aconteceu seja um motivo de união para os chilenos, de olhar para o futuro com um sentindo de unidade nacional e que não seja motivo de discórdia e desunião’’, disse Pratt. Nos últimos dias, têm-se multiplicado as manifestações, em Santiago do Chile, em defesa do ex-ditador Pinochet. A polícia tem acompanhado de perto as atividades dos partidários do general, sem ter interferido. Os que se opõem a Pinochet, entretanto, parecem estar se reservando para realizar manifestações depois da decisão da Justiça britânica.

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